[Artigo] Grau de liberdade, grau de coerção e escolhas genuínas: As contribuições de Israel Goldiamond sobre o conceito de liberdade

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O conceito analítico-comportamental de “liberdade” se difere das concepções tradicionais, que o associam à noção de livre-arbítrio ou de total responsabilização do indivíduo pelas suas próprias ações. Visto que o determinismo é um dos pressupostos filosóficos do Behaviorismo Radical, a discussão do conceito de liberdade, na Análise do Comportamento, ocorre de maneira a não negligenciar a existência do controle, que é entendido como parte essencial das relações comportamentais. Embora a discussão sobre o conceito seja frequente desde Skinner (1971), diferentes pesquisadores trouxeram análises distintas sobre o que significa “liberdade”. Fernandes e Dittrich (2018), em seu artigo denominado “Expanding the behavior-analytic meanings of ‘freedom’: The contributions of Israel Goldiamond”, apresentam a explicação elaborada por Israel Goldiamond, analista do comportamento norte-americano, que desenvolveu os conceitos de “grau de liberdade”, “grau de coerção” e “escolha genuína” como aspectos essenciais do que se entende por liberdade.

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[Artigo] A relação professor-aluno na universidade: contingências sociais desfavoráveis

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No intuito de ampliar nosso conhecimento acerca das relações professor-aluno no contexto da universidade, Vieira-Santos e Henklain (2017) escreveram um ensaio no qual analisam contingências que dificultam ou impedem o estabelecimento dessas relações. O artigo intitulado “Contingências sociais que dificultam o engajamento do professor universitário em relações de qualidade com seus alunos” foi publicado no volume 8 da revista Perspectivas em Análise do Comportamento. Este texto é um resumo do que os autores apresentam em suas análises. Continuar lendo [Artigo] A relação professor-aluno na universidade: contingências sociais desfavoráveis

[Artigo] Análise das Emoções pela filosofia de Gilbert Ryle

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As ciências psicológicas desde seu início tem tomado as emoções como objeto de estudos (James, 1884), outras áreas do conhecimento como a biologia e a filosofia tem feito o mesmo ao longo da história. Na Psicologia já foram estudadas a partir das mais variadas correntes metodológicas e epistemológicas, em abordagens que enfocam ora o indivíduo e seu “universo particular”, ora a cultura, seu valor adaptativo-evolutivo e sua constituição comportamental ou cognitiva. O artigo de Flores, Medeiros e Souza (2017), de que trata este resumo, busca contribuir com a discussão acerca das emoções a partir da análise da linguagem cotidiana que utilizamos para nos referirmos às nossas emoções, uma análise da lógica que rege a utilização dos conceitos para descrever as nossas emoções da forma como fazemos em nossa cultura. Para isso os autores fundamentam-se na filosofia de Gilbert Ryle. Continuar lendo [Artigo] Análise das Emoções pela filosofia de Gilbert Ryle

[Artigo] Mulheres vitimizadas e competência parental: análise de intervenção

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O projeto Parceria foi criado em 2006, financiado pelo CNPq e coordenado pela Profa. Dra. Lúcia Williams. É um programa de intervenção para mulheres com histórico de violência doméstica, cujo objetivo é ensinar práticas parentais habilidosas visando prevenir potenciais comportamentos danosos em crianças expostas à violência conjugal. A pesquisa de Santini e Williams (2016) buscou avaliar possíveis efeitos da ordem em que os módulos do programa são aplicados sobre a sua eficácia. Continuar lendo [Artigo] Mulheres vitimizadas e competência parental: análise de intervenção

[Artigo] Uma proposta para a quarta geração de terapias comportamentais

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As terapias comportamentais podem ser divididas nas chamadas “gerações” ou “ondas”, com características específicas relacionadas aos pressupostos terapêuticos e técnicas utilizadas. A semelhança entre as gerações encontra-se no fato de que todas se baseiam na Análise do Comportamento. Embora parte da literatura atual descreva a existência de três gerações, autores como Abreu e Abreu (2017) propõem a existência da quarta geração, que se utiliza da análise funcional e da integração das terapias contextuais, quando necessário, de forma a resolver problemas existentes na proposta atual da terceira geração de terapias comportamentais.

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[Artigo] Existe sociedade sem controle aversivo?

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Preocupado com as questões sociais que despontavam no período pós-guerra, nas décadas de 40 e 50 do século XX, Skinner se dedicou a reflexões de cunho mais coletivo e, munido do conhecimento acerca do comportamento humano que ele havia ajudado a construir nas décadas anteriores, lança-se no campo da ficção utópica com a polêmica obra Walden II. Nela, Skinner (1948) cria uma sociedade alternativa na qual seus membros buscam uma vida mais feliz e livre das relações de controle aversivo e coerção que são impostas nas sociedades modernas ocidentais. Aplicando o conhecimento da Análise do Comportamento, ele descreve as relações de controle comportamental planejadas nessa sociedade que visam maximizar o uso do reforçamento positivo para contornar diversos problemas sociais que enfrentamos. Eliminar o controle aversivo das relações humanas é um dos objetivos propostos em Walden II, mas ele é alcançado?

Martins, Carvalho Neto e Mayer (2017), por meio de uma leitura atenta e minuciosa da obra em questão buscam responder a essa pergunta, cujo resultado é apresentado em  “Walden Two: Uma sociedade utópica não aversiva?”, artigo publicado no 19º volume da Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. Este texto é um resumo de seus achados e discussões. Continuar lendo [Artigo] Existe sociedade sem controle aversivo?

Artigo sobre ensino de AEC e Psicologia Experimental que teve parceria da ABPMC com a ACBR é publicado

Foi publicado, em dezembro de 2017, o artigo Um levantamento sobre as condições para o ensino de Análise Experimental do Comportamento na graduação em Psicologia de Luiz Alexandre B. de Freitas, Natália de Mesquita Matheus e Ana Cláudia Shiga, no Dossiê Análise do Comportamento, Educação e Contemporaneidade da Revista Educere et Educare. O trabalho teve apoio da Comissão Interinstitucional ABPMCACBR para a Avaliação do Ensino de Análise do Comportamento que foi criada no início de 2015 e esteve ativa até o final de 2016 e teve membros das duas associações.

A pesquisa foi um levantamento das “características do ensino de Psicologia Experimental [PE] e Análise Experimental do Comportamento [AEC] em cursos de Graduação em Psicologia de instituições de ensino superior públicas e privadas do Brasil”.

Os autores coletaram os dados por meio de um questionário online que foi respondido por coordenadores de curso, professores e estudantes de diversas instituições do país. Foram considerados para análise 160 formulários respondidos entre julho e novembro de 2014, sendo a maior parte deles preenchidos por professores de AEC ou discentes.

Entre os resultados encontrados, chama atenção o dado de que 20% das instituições não possui laboratório para as aulas de PE ou AEC, e 40,63% não possui laboratório real (com a utilização de sujeitos experimentais vivos).

Outros dois dados que merecem destaque se referem à quantidade e à formação dos professores que ministram aulas de PE e AEC. A maior parte das instituições (65,6%) possui um ou dois professores e 5% não têm professores aptos a ministrar essas disciplinas. Embora a maior parte dos professores tenham formação em Análise do Comportamento ou Psicologia Experimental, o percentual daqueles com formação em outras áreas e que ministram essas disciplinas ainda é alto, de 26,26%.

Os autores discutem algumas possibilidades para explicar o baixo números de professores aptos a lecionar disciplinas de AEC e PE em cada instituição, o percentual elevado daquelas que não possuem laboratórios e a existência de professores responsáveis por essas disciplinas, mas sem formação na área. São apontadas ainda limitações metodológicas e de generalização dos resultados.

Freitas, L. A. B., Matheus, N. M., & Shiga, A. C. Um levantamento sobre as condições para o ensino de análise experimental do comportamento na graduação em psicologia. Educere et Educare, 12(25).

[Artigo] Aproximações entre o feminismo e a Análise do Comportamento

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O feminismo é uma maneira de analisar as relações sociais pela ótica do gênero, sendo também relevante como um movimento que busca a transformação de tais relações, diminuindo a desigualdade entre homens e mulheres. Embora seja pesquisado em diferentes disciplinas, ainda são poucas as produções que relacionam a filosofia do Behaviorismo Radical e as aplicações analítico-comportamentais com o feminismo. Tais produções são avaliadas no artigo de Couto e Dittrich (2017), denominado “Feminismo e Análise do Comportamento: Caminhos para o diálogo”. Os autores têm como objetivos revisar as produções já existentes sobre feminismo em periódicos de Análise do Comportamento e analisar possíveis aproximações teórico-práticas entre os dois campos do conhecimento.

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[Artigo] Punição e supressão em uma replicação de Skinner (1938) utilizando o Jato de Ar Quente

O livro “The Behavior of Organisms” de Skinner, publicado em 1938, é composto por inúmeros estudos realizados à época pelo referido autor e embasou, em seu primórdio, a construção dos conceitos utilizados até hoje na Análise do Comportamento. Em um desses experimentos (1938, p.154), Skinner ressaltou a supressão competitiva em um experimento que empregou a extinção após a punição. Os estudos posteriores que tentaram replicar o experimento de Skinner não obtiveram sucesso em obter os mesmos resultados ou ainda encontraram outros novos. Nesse sentido, o presente artigo aqui resumido teve por objetivo replicar sistematicamente o experimento de Skinner, utilizando como estímulo aversivo o Jato de Ar Quente (JAQ). Dessa forma, criando uma boa oportunidade para a contínua discussão sobre os temas pilares para a área.

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[Artigo] Reflexões de B. F. Skinner sobre Educação e contribuições para a Psicologia Escolar

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A Educação foi um tema de interesse que acompanhou Skinner por toda sua carreira. Em muitos de seus textos é possível encontrar reflexões sobre o ensino, a escola, as relações estabelecidas no ambiente escolar e o sistema educacional como um todo. Dentre essas contribuições, algumas foram mais divulgadas ao longo das últimas décadas de produção em Psicologia Escolar e Educacional, enquanto outras foram como que deixadas de lado ou mal compreendidas. É provável que psicólogos educacionais e professores tenham certo conhecimento acerca de propostas metodológicas para ensino-aprendizagem extraídas dos textos de Skinner e de outros analistas do comportamento, a instrução programada, por exemplo. Entretanto, que é bastante incomum é que conheçam as reflexões mais amplas que o autor empreendeu, dentro das quais tais propostas ganham sentido.

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[Livro] Lançamento na ABPMC 2017! Resenha de Diálogos em Análise do Comportamento

IMG_7493Esta resenha foi escrita pelo Professor Luiz Alexandre B. de Freitas. Luiz é graduado em Psicologia pela Universidade Federal de São João del Rei, fez Mestrado em Análise do Comportamento na Universidade Estadual de Londrina, é doutorando em Teoria e pesquisa do Comportamento pela Universidade Federal do Pará e professor na Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Cuiabá. Ele é membro da Comissão de Publicações e Editorial da ABPMC (Gestão 2017-2018) e seus temas de interesse de pesquisa são Análise Aplicada do Comportamento no Transtorno do Espectro Autista e processos básicos do comportamento relacionados ao condicionamento clássico.

Boa leitura!

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[Livro] Lançamento na ABPMC 2017! Resenha de Pesquisa Teórica em Psicologia: Aspectos Filosóficos e Metodológicos

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A resenha a seguir foi escrita pela Dra. Monalisa Leão a pedido do Boletim Contexto. Monalisa Leão é graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – CPAR, fez Mestrado em Análise do Comportamento e Especialização em História e Filosofia da Ciência pela Universidade Estadual de Londrina, e Doutorado em Teoria e pesquisa do Comportamento pela Universidade Federal do Pará, com período sanduíche na Universidade de Harvard e Fundação B. F. Skinner. Ela é Editora Associada do Boletim Operants da Fundação B. F. Skinner e dedica-se preferencialmente às questões conceituais do Behaviorismo Radical e às relações entre Análise do Comportamento e Biologia Evolutiva. Boa leitura!

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[Artigo] Acompanhamento Terapêutico e Análise do Comportamento: Avanços e problemáticas nas definições deste fazer

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Acompanhamento Terapêutico é um fazer realizado por psicólogos que costuma ser voltado ao tratamento de casos que demandem intervenções mais intensivas. O acompanhante terapêutico (AT) tem trabalhado com pessoas com transtornos psiquiátricos, dependência química, deficiência física, com dificuldades no processo de escolarização, entre outros. Diversos analistas do comportamento têm produzido sobre Acompanhamento Terapêutico e algumas definições são encontradas na literatura, mas não há uma definição operacional deste fazer. Beltramello e Kienen (2017) apresentam como a Análise do Comportamento, em especial a Programação de Ensino, pode contribuir para sistematizar e delimitar as classes de comportamento definidoras desse fazer. Continuar lendo [Artigo] Acompanhamento Terapêutico e Análise do Comportamento: Avanços e problemáticas nas definições deste fazer

[Artigo] A distinção entre comportamento eliciado e emitido ainda é necessária?

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Em 2016, Michael Domjan publicou seu artigo “Elicited versus Emitted Behavior: Time to Abandon the Distinction”, no qual faz um apanhado histórico de livros e experimentos acerca dos condicionamentos clássico e operante, apontando a necessidade de revisarmos nossas definições com base nas evidências e análises encontradas nos últimos anos. Por meio de sua análise, vemos que as diferenças entre comportamentos emitidos e eliciados não são tão claras quanto se supunha antigamente, apesar de as concepções antigas ainda serem repetidas nos trabalhos atuais.

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[Livro] A depressão como fenômeno cultural na sociedade pós-moderna. Parte 1: um ensaio analítico comportamental dos nossos tempos

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A resenha a seguir foi escrita pelo Professor Renato Almeida Molina a convite do Boletim Contexto. Renato Molina é mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, Psicólogo na SEJUDH – Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado de Mato Grosso e Psicólogo Clínico.

A obra é distribuída gratuitamente e pode ser baixada aqui.

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