[ARTIGO] O impacto psicológico da quarentena e como reduzi-lo

Quem vem acompanhando os noticiários nos últimos meses está familiarizado com o nome “coronavírus” ou “Covid-19”, um vírus de alta contaminação que, no final de fevereiro deste ano, chegou ao Brasil. Segundo a OMS, o vírus  é transmitido de quatro maneiras principais: (1) Pelo ar (pela saliva que sai no espirro, na tosse, no catarro ou na fala; (2) Pelo contato com outras pessoas (beijo, aperto de mão, abraço) ou até o ‘autocontato’ (quando a mão da pessoa entra em contato com o vírus e a pessoa leva a mão ao olho, ao nariz ou boca); (3) Pelo contato com superfícies não higienizadas, como celulares, maçanetas, corrimão, botões, teclas, apoios nos transportes públicos, etc; (4) Pelo contato com animais, como o consumo de carne de animais silvestres.

Os sintomas mais comuns são tosse e febre alta e a recomendação do Ministério da Saúde, até a presente data, é: procurar auxílio médico apenas quando os sintomas apresentarem piora (com dificuldade para respirar, falta de ar, etc) e evitar ao máximo sair de casa: até quem não apresenta os sintomas ou não faz parte do grupo de risco, pois essa medida dificulta a transmissão comunitária da doença. “Transmissão comunitária” é o nome dado ao contágio quando não é possível saber a origem da infecção, por exemplo, a pessoa não viajou para fora do país recentemente ou não entrou em contato com alguma pessoa infectada pela doença.  

Dentro deste contexto, o Conselho Federal de Psicologia publicou recomendações aos psicólogos brasileiros, dentre elas: continuar os atendimentos clínicos pela modalidade online, seguir as recomendações da OMS e contribuir para que a população tenha acesso à informação sobre as medidas de prevenção. Porém, diante dessa nova realidade, é relevante entender o impacto da quarentena na vida dos indivíduos e o que os psicólogos podem fazer para diminuí-lo. Pensando nisso, Brooks et al (2020) desenvolveram uma revisão de literatura para identificar as evidências cientificas já publicadas sobre o assunto.

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[ARTIGO] Automonitoria, Competência Social e Análise do Comportamento

A automonitoria é um conceito utilizado no campo das Habilidades Sociais, definido como “habilidade metacognitiva e comportamental pela qual a pessoa observa, descreve, interpreta e regula seus pensamentos, sentimentos e comportamentos em situações sociais” (A. Del Prette & Z. Del Prette, 2001, p. 62). Neste campo teórico-prático, a automonitoria é dividida em dois componentes principais: sensibilidade às contingências e autocontrole (A. Del Prette & Z. Del Prette, 2017). Tomando este contexto e a importância da automonitoria para os desempenhos sociais, o objetivo do estudo de Dias, Casali, A. Del Prette e Z. Del Prette (2019) foi discutir alguns conceitos que estão englobados na automonitoria, analisando aspectos conceituais e metodológicos da avaliação do constructo.

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[Artigo] Reflexões éticas acerca dos objetivos e evidências na clínica analítico-comportamental

A normatividade é característica essencial às reflexões éticas nas práticas científicas (Hursthouse, Rosalind, & Pettigrove, 2018). A reflexão ética, por sua vez, mostra-se como o campo adequado para o questionamento acerca da natureza dos objetivos clínicos, bem como sobre as evidências de eficácia para alcançá-los. A busca por evidências de eficácia na clínica psicoterápica, se configura como um imperativo ético face ao significado da prática psicoterápica em meio ao sofrimento humano. A constatação da necessidade de tais evidências nos coloca diante da seguinte questão: “evidências de que?”. Por sua vez, a resposta para tal pergunta exige o conhecimento acerca do propósito de tal prática.

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[Artigo] Avaliação da adequação dos níveis de funcionalidade do VB-MAPP em uma amostra de crianças brasileiras

O VB-MAPP (Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program) é um instrumento de avaliação e acompanhamento do desenvolvimento de repertórios para crianças com desenvolvimento atípico. Tal instrumento é composto por três Níveis de funcionalidade que foram estabelecidos a partir dos marcos típicos de desenvolvimento infantil derivados principalmente de estudos com crianças estadunidenses e europeias. Considerando, então, as diferenças socioeconômicas e culturais existentes entre os Estados Unidos/Europa e o Brasil, este estudo visou analisar a adequação dos níveis de funcionalidade do VB-MAPP para a avaliação de repertórios verbais, sociais e motores em crianças brasileiras.

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[Artigo] A que servem os “ismos” em debates acadêmicos e científicos?

Dittrich (2019) discute o que podem vir a ser os “ismos”, tão presentes em debates acadêmicos e científicos, e procura apontar seus benefícios e perigos para a produção de conhecimento. Nesse movimento, o autor passa pelas noções analítico-comportamentais de criação de conceitos, baseando-se nos processos de generalização e discriminação, na noção de controle múltiplo do comportamento verbal, assim como também pelas implicações envolvidas na utilização de tais “ismos”. O artigo caminha na direção de entender a questão como variável, e explora as possibilidades de discussão envolvidas na temática. 

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[Artigo] Intervenção comportamental para mulheres com Fibromialgia

A Fibromialgia é caracterizada por dores reumáticas não articulares agudas ou crônicas, fadiga excessiva, prejuízos na qualidade do sono e comportamentos ansiosos ou depressivos e chega a atingir entre 0,5 a 5% da população mundial, majoritariamente mulheres (Clauw, 2014).  Dentre estes sintomas, a correlação entre as dores e o impacto no sono pode ser um dos componentes de intervenção comportamental, realizando um manejo dessas duas variáveis. É dentro deste contexto que o estudo de Kirchner, Reis e Queluz (2019) se encaixa, tendo como objetivo avaliar os efeitos da ordem de aplicação de dois componentes de intervenção comportamental em mulheres com Fibromialgia.

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[ARTIGO] Avaliação intraverbal em pessoas com deficiência intelectual, autismo e desenvolvimento típico

Pessoas com Deficiência Intelectual (DI) ou com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), muitas vezes apresentam dificuldades na aquisição de linguagem, incluindo o repertório intraverbal. Este déficit pode estar relacionado aos antecedentes verbais que, na maioria das relações intraverbais, envolve discriminações condicionais verbais, em que uma resposta está sob controle de dois ou mais estímulos verbais. Dessa maneira, o presente estudo teve como objetivo investigar o repertório intraverbal de indivíduos com DI, TEA e desenvolvimento típico por meio de um protocolo. Os resultados indicaram a replicação de dados encontrados anteriormente, indicando que o desempenho se torna menor conforme as perguntas tornam-se mais complexas.

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[ARTIGO] Uma investigação das práticas de estudo de graduandos de ciências humanas

Um dos desafios enfrentados pelas práticas educacionais contemporâneas é o desenvolvimento de um estudar efetivo. Assim, o presente artigo denominado “Uma investigação das práticas de estudo de graduandos de ciências humanas” fruto de uma pesquisa realizada com estudantes de graduação de cursos de ciências humanas em uma universidade pública, possui a proposta de avaliar a  importância do repertório de estudo para o desempenho acadêmico de graduandos, esta pesquisa de natureza empírico-exploratória teve como objetivo investigar possíveis contingências envolvidas nas práticas de estudo de alunos de graduação, analisando as dificuldades, bem como a efetividade do estudar.

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[Artigo] Usos do termo emoção na obra de B. F. Skinner

O estudo de Da Silveira, Lopes e Mesquita Pompermaier (2019) trata da noção de emoção na obra de B. F. Skinner a partir de uma empreitada teórico-conceitual que visou investigar como se dão seus usos ao longo da obra skinneriana. O conceito é apreciado quantitativamente – em relação aos momentos em que, numericamente, tem mais destaque na obra de Skinner – bem como interpretado filosoficamente, em uma discussão que busca reforçar a proposição de uma teoria comportamental das emoções. 

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[Artigo] Prática baseada em evidências e instrumentos de avaliação de processo na Terapia Analítico Comportamental

A Prática Baseada em Evidências foi descrita pela APA (American Psychological Association) em 2006 como “a integração da melhor pesquisa disponível com a experiência clínica no contexto das características, cultura e preferências do paciente” (p. 273, tradução nossa). Portanto, segundo a APA, a intervenção em psicologia deve basear-se em conclusões empiricamente testadas que possibilitem a promoção de qualidade de vida, e essa intervenção deve ser avaliada em duas dimensões: eficácia e utilidade clínica. Neste contexto, o estudo de Bolsoni-Silva e Josua (2019) propõe uma reflexão sobre os instrumentos utilizados no Brasil para a pesquisa e a prática da TAC (Terapia Analítico Comportamental), de forma a garantir os critérios estabelecidos pela APA para a prática baseada em evidências.

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[Artigo] Análise do comportamento pode ser considerada uma ciência natural?

A análise do comportamento é comumente rotulada como uma ciência natural, entretanto, poucas vezes as justificativas para esta vinculação são apresentadas. Por conta das possíveis implicações e dificuldades envolvidas na vinculação da ciência analítico-comportamento com as ciências naturais é importante voltarmos nossos olhares para tais questões. Para tanto, Azoubel (2019) levantou alguns pontos sobre os critérios e consequências da rotulação da análise do comportamento enquanto ciência natural.

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[ARTIGO] Por uma práxis social comunitária em Análise do Comportamento

Partindo-se do tradicional afastamento da Análise do Comportamento em relação às humanidades e à realidade social da maioria da população, o presente artigo propõe  discutir a possibilidade de interlocução entre objetivos próprios de uma práxis social comunitária e projetos de base comportamentalista radical. Com efeito, o objetivo de tal  interlocução é proporcionar uma efetivação ético-política dos conhecimentos oriundos do Comportamentalismo Radical, potencializada por um contato cuidadoso com as questões próprias da práxis social comunitária, voltando-se para um diálogo com outras culturas acadêmicas, tendo em vista seu isolamento em relação a outras propostas científicas.

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[ARTIGO] A Análise do Comportamento é uma ciência isolada?

Essa é uma pergunta que vem sendo discutida na literatura internacional desde os anos de 1930, com as primeiras publicações de Skinner, e também no Brasil, com as obras conceituais de Banaco (1997) e Rodrigues (2002), por exemplo. Por conta do caráter teórico destas obras brasileiras, Strapasson, Zuge e Cruz (2017) tiveram como objetivo elaborar um estudo sistemático sobre o tema, investigando a comunicação da Análise do Comportamento com outras áreas da Psicologia no Brasil.

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[Artigo] Reflexões sobre a discussão do (in)determinismo na Análise do Comportamento brasileira

Rodrigues e Strapasson (2019) se esforçam para analisar a pluralidade de propostas teóricas relacionadas à temática do debate entre perspectivas deterministas e indeterministas no âmbito da Análise do Comportamento brasileira. Os autores investigam as teses mais proeminentes a respeito do assunto, e executam uma comparação entre elas em termos epistemológicos e ontológicos. 

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[Resenha de Livro] Debates sobre Feminismo e Análise do Comportamento

O livro “Debates sobre Feminismo e Análise do Comportamento”, das organizadoras Renata Ribeiro e Táhcita Mizael, tem como objetivo principal reunir um material voltado para a discussão entre a temática da desigualdade de gênero e a ciência analítico-comportamental, ressaltando a relevância de tal discussão política dentro da Análise do Comportamento, uma vez que a teoria é constantemente acusada de negligenciar, em suas análises, reflexões ético-políticas, desconsiderando o contexto mais amplo de contingências culturais e institucionais. Concluímos que uma aproximação com o Feminismo, poderia instigar a potencial contribuição da Análise do Comportamento para mudar formas opressivas de controle social, em direção à construção de um mundo melhor.

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