[Artigo] Errar é humano: até que ponto nossos erros comprometem tratamentos psicológicos?

Existe uma variedade no grau de estrutura dos tratamentos psicológicos disponíveis atualmente. É comum que algumas psicoterapias tenham sessões pouquíssimo estruturadas quando comparadas com sessões de, por exemplo, Análise do Comportamento aplicada. Quando um tratamento tem um caráter bastante estruturado (tanto intra quanto intersessões), é importante que todos os elementos estejam presentes, a fim de que se potencializem as chances dos efeitos desejados serem produzidos. Integridade de tratamento é a apresentação consistente e acurada dos componentes de um tratamento. Erros de integridade de tratamento podem ocorrer por não apresentar um de seus componentes (“omissão”) ou por acrescentar elementos que não fazem parte do tratamento (“acréscimo”). Quanto menor a integridade do tratamento, piores os resultados.

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[ARTIGO] Aquiescência generalizada,  Insensibilidade a contingências e Mindfulness

Abordagens teóricas propõem que a generalização de uma classe específica de comportamento governado por regras, a aquiescência,  promove insensibilidade a contingências diretas (McAuliffe et. al, 2014; Törneke et. al 2008, Zettle & Hayes, 1982). O estudo de O’Connor et. al (2019) busca investigar esse tipo de comportamento governado por regras como preditor de sensibilidade a contingências e sua relação com processos de mindfulness.

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[Artigo] Transtornos de Personalidade: como a análise do comportamento entende e investiga?

O artigo de Calixto e Banaco (2019) aborda um tema que costuma interessar a muitos públicos, dentro e fora da psicologia. Os próprios autores indicam a vasta existência tanto de investigações no âmbito científico, quanto de quizzes e outras formulações cotidianas que “desvendam” (ou tentam) nossas características pessoais. A personalidade é, realmente, um elemento intrigante e se refere a algo com que convivemos diariamente. Um especial interesse pode ser levantado quando analisamos criticamente a cotidiana concepção de personalidade como uma instância imaterial e explicativa responsável pelo comportamento manifesto e vinculada à nossa compreensão de individualidade (Calixto e Banaco, 2019). A proposta deste texto é fazer isso partindo de uma base analítico-comportamental e provavelmente instigará leitores de dentro e fora da psicologia.

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[Artigo] Pode a história norte-americana servir de modelo para o Brasil?

          Relembrar fatos históricos possibilita compreender o atual estado da arte, reavaliar o trajeto percorrido, repensar as práticas propagadas e desenvolver estratégias mais efetivas. Desde o ano 2000, quando o Behavior Analyst Certification Board (BACB) iniciou o processo de credenciamento em nível nacional nos Estados Unidos da América (EUA), tem aumentado a quantidade de analistas do comportamento visando adquirir a certificação (Oda, 2018; Pastrana et al., 2016). Esse aumento está relacionado, em parte, com a evolução dos estudos sobre autismo. Tais estudos viabilizaram a demonstração da efetividade da Análise do Comportamento em desenvolver e aplicar planos de ensino para indivíduos autistas e, com isso, surgiram alguns desdobramentos tanto em nível científico quanto social (Oda, 2018). Oda (2018) teve como objetivo apresentar alguns marcos históricos que compuseram o desenvolvimento da Análise do Comportamento aplicada ao autismo nas produções norte-americanas. Além disso, a autora também propõe que tais marcos sirvam como orientadores para ajustes no contexto brasileiro.

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[ARTIGO] A Análise do Comportamento serve a quem?

O comportamento como objeto de estudo já foi investigado por variados campos do saber, por categorias como “personalidade”, “inteligência” ou “comportamento”. Barreto & Toassa (2021) discorrem sobre como o conceito de comportamento foi se desenvolvendo ao longo da história da psicologia até o Behaviorismo Radical e levanta a discussão sobre as implicações ético-políticas da compreensão e modificação do comportamento humano.

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[Artigo] Há impacto na relação terapeuta-cliente entre sessões de FAP presenciais ou online?

Em 2018, o Conselho Federal de Psicologia publicou orientações sobre prática e pesquisa de atendimentos online no Brasil e, diante da pandemia do SARS-CoV-2 (COVID-19) e da recomendação de distanciamento social em 2020, esses direcionamentos foram atualizados. Com a popularização da tecnologia e do acesso à internet, a maioria dos psicólogos recorreu à psicoterapia online para dar continuidade aos atendimentos e para prestar serviço às pessoas que, de alguma forma, foram afetadas pelas mudanças e consequências impostas pela pandemia. Apesar de haver, na literatura, estudos que demonstram que a efetividade das intervenções online para a depressão é equivalente à das presenciais, terapeutas dessa área encontram certa dificuldade na avaliação de sua interação com o cliente. O estudo de Souza e Silveira (2021) comparou a interação terapeuta-cliente entre sessões presenciais e sessões online, a partir de uma intervenção baseada pela FAP (Psicoterapia Analítica Funcional).

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[Comportamento em Foco] Volume 13 da coleção já está disponível!

Foi lançado o Volume 13 da Coleção Comportamento em Foco! O livro está disponível gratuitamente no site da associação, aqui.

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Especial João Claudio Todorov: Cartas de homenagem

No mês passado, recebemos com muito pesar a notícia do falecimento do professor João Cláudio Todorov, ex-reitor, Professor Emérito e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB) e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP). Recentemente, divulgamos aqui no Boletim Contexto uma coletânea de todos os textos de Todorov publicados na Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, Boletim Contexto e Comportamento em Foco em homenagem à sua carreira profissional e trabalho contínuo em prol do desenvolvimento da Análise do Comportamento.

Mas, para além de pesquisador e professor, Todorov marcou a vida de muitos de forma mais pessoal e íntima. Algumas destas enviaram suas homenagens à ABPMC, com textos e fotos de seus encontros com Todorov. Na sequência reproduzimos estas homenagens em formato de cartas. Confira os relatos de Veronica Haydu, Ana Karina De-Farias, Márcio Moreira, Bernardo Rodrigues, Laércia Vasconcelos e Martha Hübner. E fique atento no Encontro da ABPMC de 2021, que ocorrerá na próxima semana, onde haverá uma continuação da homenagem!

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[Conceitos Básicos] O que é autocontrole?

Um conceito psicológico muito discutido, tanto dentro quanto fora da Psicologia, é o de autocontrole. Como costuma ocorrer com conceitos que circulam amplamente no debate público, o de autocontrole pode receber diversas definições distintas. Por exemplo, a Análise do Comportamento conta com a concepção de Skinner (2003) de que o autocontrole ocorre quando o organismo emite uma resposta (a controladora) que afeta as variáveis das quais outra (a controlada) é função.

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[Artigo] O que são valores na clínica analítico-comportamental?

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O  conceito “valores” é central para alguns modelos terapêuticos comportamentais. Ferreira et al. (2020) propõem uma discussão sobre as perspectivas em torno desse conceito – como as de Skinner, Leigland, Plumb, Wilson e Harris. É defendida a necessidade de uma definição operacionalizada que  descreva “valores” em termos de processos básicos, possibilitando pesquisas básicas e aplicadas sem que seja perdida a relevância clínica do conceito. É proposto que “valores” são qualidades estáveis e abrangentes do comportar-se, descritas pelo sujeito em regras aumentadoras que estabelecem função reforçadora positiva para o comportamento descrito. A precisão dessa definição e o fato de ela enfatizar aspectos diretamente influenciados pelo cliente são motivos que justificam o potencial de sua utilidade.

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[Artigo] Procedimento para ensinar habilidades de pareamento entre terapeuta e itens de interesse da criança

Você faria algo que uma pessoa desconhecida lhe mandasse fazer? É comum que terapeutas, desde a primeira sessão, tentem propor atividades com algumas demandas para crianças autistas. Caso a criança não realize a atividade, ou apresente algum comportamento de “birra”, registra-se na avaliação que ela não é capaz de executar determinada ação. Contudo, a literatura tem demonstrado que o vínculo entre terapeuta e criança é uma ferramenta importante para diminuir a frequência de comportamentos-problema no contexto terapêutico e, consequentemente aumentar a probabilidade de cumprimento de certas demandas (Kelly et al., 2015; Shillingsburg et al., 2014). Uma das maneiras de formar vínculo com crianças é por meio das habilidades de pareamento. Nesse sentido, o estudo de Lugo et al. (2017) teve como objetivo propor e avaliar um procedimento para ensinar habilidades de pareamento a prestadores de serviço analistas do comportamento.

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[Artigo] O que é comportamento? Não, sério, o que é?

O estudo do comportamento perpassa diversos campos científicos, como a psicologia, as ciências sociais, a biologia e a engenharia de computação, para dar alguns exemplos. Este artigo, intitulado “What is behavior? No seriously, what is it?” de Adam Calhoun e Ahmed El Hady, ambos pesquisadores do Princeton Neuroscience Institute, foi divulgado no dia sete de julho de 2021. Os autores partiram da observação de que há razões para crer que diferentes campos acadêmicos usam diferentes definições de comportamento e que essas definições influenciam o que é estudado. Buscaram, portanto, investigar se todos veem a mesma coisa quando estão olhando para “comportamento”. A escolha deste estudo sugere uma busca por ampliação de nossa compreensão acerca deste objeto, entendido desde os primórdios da Análise do Comportamento como algo “mutável, fluido e evanescente” (Skinner, 1953/1970, p.17), e que, aparentemente, apresenta essas características também na forma como é definido ao longo dos mais diferentes campos da ciência.

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[Artigo] Por onde anda a Análise do Comportamento diante das mudanças climáticas?

A Análise do Comportamento esteve presente no início dos estudos sistematizados acerca das mudanças climáticas, no século passado. Ainda hoje, aquecimento global e efeito estufa são assuntos relevantes e Fischhoff (2020) fez uma retrospectiva da relação entre a ciência comportamental e as ciências climáticas e o que pode nos orientar daqui em diante para que haja uma confluência das ações diante das ameaças das mudanças climáticas.

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[Artigo] Sobre a (in)utilidade da filosofia na ciência do comportamento

Laurenti, Lopes e Abib (2020) se debruçam sobre a importância da filosofia no âmbito da produção científica. Nessa investigação, a utilidade do raciocínio filosófico desde a coesão conceitual até o comprometimento político-ideológico da ciência é explorada.

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Especial João Claudio Todorov: Coletânea de textos

Na semana passada, recebemos com muito pesar a notícia do falecimento do professor João Cláudio Todorov. Ex-reitor, Professor Emérito e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB) e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), sua ausência é uma perda imensurável para a Psicologia e a Análise do Comportamento.

Porém, as contribuições de Todorov à ciência e à educação não serão esquecidas e seu legado permanece vivo. Não somente nas memórias de quem teve a chance de conhece-lo pessoalmente, como também em seus inúmeros textos. Com o intuito de destacar algumas de suas contribuições e dar a oportunidade de novas gerações se familiarizarem com seu trabalho, buscamos na história das publicações da Editora ABPMC (Boletim Contexto; Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva; Comportamento em Foco) textos que contavam com sua autoria ou divulgavam seu trabalho.

Nesta busca, encontramos 14 textos. Todos são de livre acesso, para que qualquer pessoa interessada possa ler e aprender mais sobre a Análise do Comportamento com o Todorov. Na sequência cada um dos textos está listado, com título, breve resumo e link para acesso gratuito (basta clicar no título desejado). Diante deste rico acervo, reaproveitamos as palavras do próprio Todorov, utilizadas no título de um se seus inúmeros artigos para dizer: Adeus professor, bom e velho amigo!

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