[Artigo] Os impactos da COVID-19 na saúde mental

Lidar com as mudanças súbitas na rotina e hábitos têm sido uma das principais dificuldades vivenciadas no atual contexto ocasionado pela pandemia da COVID-19. Pensando nesses obstáculos, Bortoli, Haydu, Kienen e Zacarin (2020) conduziram uma revisão narrativa de literatura na qual procuraram esclarecer os impactos das epidemias no comportamento e na saúde mental da população em geral e dos profissionais da saúde, apontando também quais intervenções psicológicas podem ser realizadas nesses casos.

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[Artigo] O uso de nudges para higienização das mãos como estratégia mitigatória comunitária diante da pandemia de Covid-19

Diante de um contexto pandêmico da COVID-19, comportamentos considerados simples, como higienizar as mãos, podem apresentar relevância na prevenção do contágio e no retardamento da progressão dos casos. Contudo, campanhas e intervenções baseadas em “conscientização”, que incluem apelos racionais ou emocionais não têm demonstrado grande efetividade. Assim, a partir de uma compreensão de que comportamentos são influenciados por fatores ambientais pode ajudar a mudar a estratégia, o uso de nudges, por exemplo, pode ser uma intervenção de baixo custo, acessível, simples e não constrangedora capaz de aumentar o comportamento de higienização.

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[Artigo] Como a Análise do Comportamento tem contribuído para a Área da Saúde?

Marin, Faleiros e Moraes (2020) investigam as contribuições da Análise do Comportamento para a Psicologia da Saúde a partir de uma revisão de literatura dos últimos 16 anos de publicações realizadas no periódico JABA (Journal of Applied Behavior Analysis), sistematizando a temática a partir da identificação e análise dos aspectos metodológicos mais utilizados e dos principais resultados obtidos em relação às intervenções realizadas nesse contexto. 

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[Entrevista] Sonia Meyer comenta sobre a pesquisa clínica, o passado e o futuro da FAP

O Boletim Contexto teve o prazer de receber a Sonia Meyer para uma entrevista. Com mestrado pela Western Michigan University, doutorado em Psicologia Experimental e livre-docência em Psicologia Clínica, ambos pela Universidade de São Paulo (USP), ela compartilhou suas experiências acumuladas ao longo dos anos como terapeuta e pesquisadora em psicologia clínica, especialmente o trabalho realizado no Laboratório de Terapia Comportamental do Instituto de Psicologia da USP. Uma das pioneiras da Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) no Brasil e um dos grandes nomes na pesquisa dessa abordagem, ela também comentou sobre o passado e o futuro da FAP, incluindo a sua disseminação no país, a polêmica sobre os termos de nível intermediário e a busca de evidências científicas sobre sua eficácia.

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[Artigo] Efeitos relativos do reforço e punição na escolha humana

Para avaliar os efeitos de reforço ou punição na escolha de seres humanos, Kuroda, Cançado e Podlesnik (2018) programaram ganhos e perdas de pontos em uma atividade computadorizada de reforçamento por intervalo variável. Para compreender o objetivo deste estudo, é importante retomar aos fundamentos do behaviorismo radical: o comportamento operante pode ser alterado a partir da relação entre o responder e as consequências reforçadoras (com o aumento da taxa de resposta) ou punitivas (com a diminuição da taxa de resposta). O reforço é positivo quando há apresentação de um estímulo reforçador contingente à resposta, enquanto o reforço é negativo quando há remoção (prevenção ou adiamento) de um estímulo aversivo contingente à resposta. Já as punições, podem ser positivas quando há apresentação de um estímulo aversivo contingente à resposta ou negativas quando há remoção (prevenção ou adiamento) de um estímulo reforçador contingente à resposta.

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[ARTIGO] O papel da narrativa no contexto clínico analítico-comportamental (Narrative: Its importance in modern behavior analysis and therapy)

A discussão acerca da narrativa tem sido ainda incipiente na Análise do Comportamento, com algumas exceções (ver edição da revista Perspectives on Behavior Science, vol.41, issue 2). Ainda menos foco tem sido dado a esse aspecto a partir de uma perspectiva clínica, embora essa discussão apareça em outras abordagens (Monk, 1997, Book, 2004, Angus & McLeod, 2004). Por outro lado, a narrativa tem se tornado cada vez mais importante em discussões da Teoria das Molduras Relacionais, especialmente em seus desenvolvimentos mais recentes. O artigo discutido aqui se propõe a focar na aplicação da narrativa no tratamento do sofrimento humano.

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[Artigo] Medidas implícitas e explícitas de Transformação de Função de expressões faciais de medo e felicidade via relações de equivalência

Na Análise do Comportamento frequentemente estudos sobre comportamento simbólico são realizados utilizando relações equivalentes como procedimento básico. Nestes procedimentos, treinos de discriminação condicional utilizando estímulos arbitrários são conduzidos (por exemplo, A1-B1, A2-B2, B1-C1 e B2-C2), seguidos por testes condicionais com relações que não foram apresentadas nos treinos (por exemplo, B1-A1, B2-A2, C1-B1, C2-B2, A1-C1, A2-C2, C1-A1 e C2-A2). Nestes testes, verifica-se se o participante é capaz de responder corretamente a essas novas relações arbitrárias, mesmo sem ter tido um treino direto com elas. Caso ocorra, pode-se dizer que houve formação de classes de estímulos equivalentes (no caso dos exemplos acima, diríamos que duas classes equivalentes foram formadas, cada uma contendo três membros: A1B1C1 e A2B2C2). Na formação de classes equivalentes, diferente estímulos podem agora partilhar uma mesma função. Pensando nisto, um grupo de pesquisadores (Perez, de Almeida, de Rose, Dorigon, Vasconcellos, Silva, Lima, de Almeida, Montan & Barnes-Holmes, 2018) programaram um experimento para verificar se seria possível, via equivalência de estímulos, símbolos arbitrários (também chamados de “sem sentido”) partilharem das mesmas funções que expressões faciais de medo e de felicidade.

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[Artigo] Treino de cuidadores como possibilidade de intervenção para crianças com transtorno do espectro do autismo (TEA)

Segundo a Sociedade Americana de Psiquiatria (2013), uma das características diagnósticas do transtorno do espectro autista (TEA) é a presença de comportamentos disruptivos. Vamos imaginar uma situação na qual a professora pede a João, um aluno com TEA, que escreva seu nome em letra cursiva. A criança tem dificuldades para realizar a atividade e, por ter um repertório de poucas de palavras, acaba gritando e afastando as mãos da professora (comportamentos disruptivos). Os indivíduos, ao se engajarem em comportamentos disruptivos, tendem a sofrer exclusão e isolamento de ambientes educacionais, sociais e de atividades comunitárias, gerando estresse e frustração para todas as partes envolvidas (Horner et al., 2002; Leaf & McEachin, 1999). Nesses casos, as intervenções realizadas focam na redução dos excessos comportamentais em paralelo ao ensino de interações mais apropriadas, o que resulta na melhora da qualidade de vida tanto dos indivíduos com TEA quanto de seus pais/cuidadores.

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[Artigo] Do Sistema Teórico de Skinner à Metacontingência: Observação, Experimentação e Interpretação

Os princípios da ciência comportamental iniciada por B. F. Skinner nos anos 1930 integram a concepção da multideterminação do comportamento via três fontes de controle – filogenética, ontogenética e cultural – e sua unidade de análise, a contingência de três termos, envolve a descrição de relações entre a ação do organismo (resposta), eventos ambientais que o antecedem e eventos ambientais produzidos por esta ação, que podem levar a alteração da probabilidade futura de ocorrência da resposta-alvo. A replicação de tal teoria em ambientes experimentais fortalece análises funcionais, inclusive no âmbito cultural, em que uma dessas possibilidades analíticas é fornecida pela descrição de macrocomportamentos em macrocontingências à seleção de linhagens culturo-comportamentais e produções agregadas em metacontingências. Dessa maneira, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão mostrando estudos de práticas culturais, com a criação de novas unidades de análise, destacando que o desenvolvimento desta área conjuga observações, experimentações, com interpretações de variáveis presentes em análogos experimentais, e no ambiente natural.

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[ARTIGO] Terapia de Grupo Analítico-Funcional para depressão: um estudo piloto

Os serviços comunitários brasileiros enfrentam recursos limitados e, por isso, a terapia em grupo torna-se uma possibilidade para atender às suas necessidades, exigindo menos tempo do terapeuta por cliente. Dentre as limitações de recursos, há também a alta rotatividade de funcionários e decorrente atuação de psicólogos inexperientes, tornando-se necessária a criação de protocolos de tratamentos em grupo que permitam a continuação dos trabalhos iniciados por outros profissionais e que não exijam requisitos avançados de treinamento. A fim de identificar a possibilidade de utilização de um protocolo mínimo, baseado em princípios comportamentais, na intervenção em grupo, o estudo de Vandenberghe e Leite (2018) teve como objetivo verificar a efetividade do FAGT (Functional Analytic Group Therapy – Terapia de Grupo Analítico-Funcional) na redução do humor e de sintomas deprimidos em pacientes de uma clínica comunitária.

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[Artigo] Expanding the behavior-analyitic meanings of “freedom”: the contributions of Israel Goldiamond (Expandindo os significados analítico-comportamentais de “liberdade”: as contribuições de Israel Goldiamond)

O artigo de Fernandes e Dittrich (2018) traz à tona o debate envolto no conceito de liberdade em uma perspectiva analítico-comportamental, e recupera alguns dos autores que procuraram discuti-lo do modo como o faz Skinner: lançando um olhar avesso às noções de causalidade interna tradicionais, e de livre-arbítrio. O enfoque do texto é, em especial, sobre a tese de Israel Goldiamond, que propõe a noção de liberdade como de escolha genuína. 

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[Artigo] Afinal, autocontrole é uma escolha?

Fatores que afetam nossas tomadas de decisão são de grande interesse científico e popular. Um fato curioso de se observar é que,  em situações similares envolvendo escolha, diferentes pessoas podem se comportar de maneira semelhante ou muito diversa entre si. Escolher algo com base em prováveis benefícios a longo prazo, ao invés de outra opção com benefícios imediatos garantidos, na perspectiva analítico-comportamental, é entendido como uma escolha autocontrolada (Rachlin, 2000). Em termos mais específicos, o comportamento é controlado por reforçadores atrasados de alta magnitude. Ou seja, aqui o autocontrole não é uma característica pessoal ou traço de personalidade, mas sim um conceito que se refere à padrões comportamentais multideterminados. 

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[Artigo] Emergência de classe de estímulos por bebês: uma revisão sistemática de estudos empíricos

Roncato, G. A., Almeida, C. G. M., Gil, M. S. C. A. (2020) apontam que a investigação da emergência de classes de estímulos no repertório de crianças pequenas ainda é escassa se comparada com a quantidade de estudos realizados com crianças e adultos em geral. Assim, o objetivo deste trabalho foi contrastar aspectos dos procedimentos com seus principais resultados nos estudos sobre emergência de classes de estímulos por bebês de até 36 meses, visando uma maior contribuição para o enriquecimento de diversos aspectos do conhecimento sobre a aquisição dos comportamentos complexos.

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O behaviorismo, O Poço e os moinhos de vento

Leitores e leitoras,

Recentemente, uma gama de publicações foi feita, em especial nas redes sociais, a respeito de um longa-metragem de 2019, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, que tem alcançado um sucesso tanto no Brasil como em outros pontos do mundo. A fim de convidá-los a refletirem sobre as críticas endereçadas ao filme, o Boletim Contexto tem a honra de publicar este texto que oferece um exame dos diversos elementos interessantes desta produção, a partir de uma perspectiva analítico-comportamental. O texto tem como autores Bruna Colombo dos Santos, Doutora em Psicologia pela UFPA com estágio na Harvard University e atualmente professora da UEFS, César Antonio Alves da Rocha, Doutor em Psicologia pela UFSCar com estágio na Duke University, atualmente pós-doutorando na USP e Rodrigo Araujo Caldas, Doutor em Psicologia pela PUC-SP e atualmente professor da UniRuy – Salvador.

Boa leitura!

Produção espanhola recentemente lançada pela Netflix, o filme O Poço (El Hoyo) tem feito sucesso com audiências diversas, dos críticos mais ávidos em fóruns de cinefilia a acadêmicos influentes na cultura de massa. Neste último grupo está o historiador Leandro Karnal, professor da Unicamp e um dos intelectuais públicos mais populares do país. Numa análise do filme publicada em sua conta no Instagram, e posteriormente replicada em sua página do Facebook[i], Karnal escreveu: “A pergunta curiosa seria não como a maldade humana fica evidenciada no poço, todavia como se permite a constituição desse panóptico (expressão analisada por Foucault a partir da ideia de Bentham) que vira apenas uma gaiola de hamster, um experimento behaviorista (do comportamento), uma situação simples de indução dos ratos ao choque”.

Apesar de a menção ao behaviorismo ser meramente acessória no raciocínio desenvolvido pelo historiador, considerando a dimensão da sua audiência (quase 2 milhões de seguidores apenas no Instagram) e o hype envolvendo o filme em questão, julgamos que valeria a pena elaborar este breve comentário. Não em resposta ao texto de Karnal (cujo mérito nos eximimos de examinar), mas tomando como deixa sua menção ao behaviorismo, nosso apontamento integra as impressões de três analistas do comportamento para um esforço colaborativo de apreciação de O Poço. Ainda que duvidosa a sua qualidade artística (baixe as expectativas quem espera por um filmaço), a nosso juízo, o filme provê elementos interessantes para um exame analítico-comportamental.

Antes de mais, alguma introdução ao enredo é necessária – tentamos evitar spoilers tanto quanto o possível. O filme conta a história de Goreng, desde o momento em que desperta numa espécie de cela, com aberturas no teto e no chão, por onde é possível entrever outras celas idênticas, acima e abaixo, num complexo multinível de extensão inicialmente desconhecida. Cada cela abriga dois prisioneiros, e Goreng divide a cela do nível 48 com Trimagasi, um homem mais velho, impaciente, que relata estar ali há algum tempo. Uma vez por dia, uma plataforma com alimentos atravessa os níveis no poço, parando por curtos períodos em cada um. Assim, àqueles em níveis inferiores restam apenas as sobras do que fora consumido pelos privilegiados em níveis superiores: abaixo no nível 50, já não resta qualquer alimento. A cada 30 dias os prisioneiros são trocados de nível, sendo a troca aparentemente aleatória. Nada sugere que a conduta dos sujeitos em um nível determine para qual serão enviados em seguida: eles não têm controle sobre seu destino próximo. Ao fim do trigésimo dia, é liberado um gás narcótico, adormecendo os prisioneiros que no dia seguinte despertam noutro nível.

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Saúde mental e Responsabilidade Social – Um manifesto behaviorista.

Leitores e leitoras,

O Boletim Contexto tem a enorme satisfação de trazer um texto, de autoria de Liane Dahás, doutora e mestra em Teoria e Pesquisa do Comportamento pela Universidade Federal do Pará, Inaldo Júnior, especialista em Clínica Analítico Comportamental e formação em Terapias Comportamentais Contextuais pelo Paradigma – Centro de Ciências e Tecnologia do Comportamento, Denis Zamignani, doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, Roberto Alves Banaco, doutor em Ciências (área de concentração: Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo, e Candido Pessôa, doutor em Ciências pelo Programa de Psicologia Experimental da USP, intitulado “Saúde mental e Responsabilidade Social – Um manifesto behaviorista”. Em tempos de pandemia do COVID-19, este texto nos convida a refletir sobre diversos aspectos relacionados ao tema, incluindo possibilidades de enfrentamento a partir de uma perspectiva analítico-comportamental. 

Nosso agradecimento aos autores por escolherem o boletim para tal publicação.

Boa leitura a todos!

Saúde mental e Responsabilidade Social – Um manifesto behaviorista.

“Nunca nos banhamos no mesmo rio duas vezes. O rio já não é o mesmo. E nós também não”. Heráclito (500 a.c.), filósofo – considerado o pai da dialética.

“Os homens agem sobre o mundo, modificam-no, e são modificados pela consequência de suas ações” Skinner (1957 d.c.), psicólogo, fundador do behaviorismo radical.

“Para o mundo que a gente vivia não vamos poder voltar”. Dr. Átila Iamarino (2020 d.c.), biólogo, doutor em microbiologia.

É tempo de olhar ao redor. De enxergar pra além de um palmo. Em entrevista recente à TV Cultura (Programa Roda Viva – exibido em 30/03/2020), o microbiólogo Átila Iamarino usou de uma bela metáfora ao propor como evitar que nosso planeta sucumba à pandemia do COVID-19: precisamos de velas para enxergar ao nosso redor – percebendo o que já nos alcança –  e também de lanternas pra ver mais longe, o que já existe, mas ainda não nos atinge diretamente. Já que não dá pra ignorar que essa é radicalmente uma questão globalizada, como faço pra me preocupar comigo mesmo e com os meus entes queridos, sem esquecer do cuidado com o restante do mundo?  Não estamos frente a um vírus numa lâmina, e muito menos, a um rato em uma caixa operante. Trata-se de um vírus real, no mundo real. É o novo mundo que se apresenta. São três níveis de seleção atuando, fora a transação inter-níveis trazida constantemente pelos fatores epigenéticos. Comportamento é um fenômeno complexo, já dizia Skinner. E o que o analista do comportamento tem a ver com isso? Tudo e mais um pouco. Porque já é tempo…

De vivermos os dias de hoje de verdade, não somente durante os treinos de mindfulness. De informarmos nossos clientes, familiares e alunos sobre as reais variáveis que estão influenciando nossa sociedade no momento atual. De sermos profissionais da saúde. De não cair em polaridades pouco efetivas. De sermos científicos em ações e, portanto, também em comportamentos verbais.

Qual é a variável independente? O vírus? A efetividade e quantidade dos leitos e de respiradores? A idade? As comorbidades já existentes? A classe social? A China? Nosso CEP? Viagem recente à Europa? Quarentena? Furar a quarentena? A resposta, já sabemos, é tudo isso junto e misturado, só que ainda com mais variáveis que não conseguimos ver pela simples falta de lanterna.

E a dependente? A vida. Ou a morte.

Se os políticos, cientistas e cidadãos não tomarem as decisões corretas, quem escolherá entre a vida e a morte será o tempo. Não o comandamos. Quem pode se comportar em direção a um controle mínimo das VIs em ação somos nós. Todos nós, habitantes desse planeta que estamos vivendo um momento sui generis – pandemia – também em um período único do desenvolvimento humano e tecnológico – século XXI. Temos meios de comunicação, temos acesso a dados, temos uma infinidade de entrevistas, textos, vídeos de Whatsapp pra decidir onde gastar nosso tempo. A comunidade analítico comportamental tem um grande número de profissionais liberais bem formados, alguns Mestres e Doutores em Ciências, Psicologia Experimental, Teoria e Pesquisa do Comportamento. Temos em nossas mãos ferramentas poderosas de tecnologia de ensino e, portanto, de mudança comportamental. Este manifesto é na verdade, um mando, um convite: Que tal nos atermos aos fatos e criar linhas de ação? Nos dedicarmos a prever e controlar nosso ambiente social?

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