[ARTIGO] Uma investigação das práticas de estudo de graduandos de ciências humanas

Um dos desafios enfrentados pelas práticas educacionais contemporâneas é o desenvolvimento de um estudar efetivo. Assim, o presente artigo denominado “Uma investigação das práticas de estudo de graduandos de ciências humanas” fruto de uma pesquisa realizada com estudantes de graduação de cursos de ciências humanas em uma universidade pública, possui a proposta de avaliar a  importância do repertório de estudo para o desempenho acadêmico de graduandos, esta pesquisa de natureza empírico-exploratória teve como objetivo investigar possíveis contingências envolvidas nas práticas de estudo de alunos de graduação, analisando as dificuldades, bem como a efetividade do estudar.

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[Artigo] Usos do termo emoção na obra de B. F. Skinner

O estudo de Da Silveira, Lopes e Mesquita Pompermaier (2019) trata da noção de emoção na obra de B. F. Skinner a partir de uma empreitada teórico-conceitual que visou investigar como se dão seus usos ao longo da obra skinneriana. O conceito é apreciado quantitativamente – em relação aos momentos em que, numericamente, tem mais destaque na obra de Skinner – bem como interpretado filosoficamente, em uma discussão que busca reforçar a proposição de uma teoria comportamental das emoções. 

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[Artigo] Prática baseada em evidências e instrumentos de avaliação de processo na Terapia Analítico Comportamental

A Prática Baseada em Evidências foi descrita pela APA (American Psychological Association) em 2006 como “a integração da melhor pesquisa disponível com a experiência clínica no contexto das características, cultura e preferências do paciente” (p. 273, tradução nossa). Portanto, segundo a APA, a intervenção em psicologia deve basear-se em conclusões empiricamente testadas que possibilitem a promoção de qualidade de vida, e essa intervenção deve ser avaliada em duas dimensões: eficácia e utilidade clínica. Neste contexto, o estudo de Bolsoni-Silva e Josua (2019) propõe uma reflexão sobre os instrumentos utilizados no Brasil para a pesquisa e a prática da TAC (Terapia Analítico Comportamental), de forma a garantir os critérios estabelecidos pela APA para a prática baseada em evidências.

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Análise do comportamento pode ser considerada uma ciência natural?

A análise do comportamento é comumente rotulada como uma ciência natural, entretanto, poucas vezes as justificativas para esta vinculação são apresentadas. Por conta das possíveis implicações e dificuldades envolvidas na vinculação da ciência analítico-comportamento com as ciências naturais é importante voltarmos nossos olhares para tais questões. Para tanto, Azoubel (2019) levantou alguns pontos sobre os critérios e consequências da rotulação da análise do comportamento enquanto ciência natural.

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[ARTIGO] Por uma práxis social comunitária em Análise do Comportamento

Partindo-se do tradicional afastamento da Análise do Comportamento em relação às humanidades e à realidade social da maioria da população, o presente artigo propõe  discutir a possibilidade de interlocução entre objetivos próprios de uma práxis social comunitária e projetos de base comportamentalista radical. Com efeito, o objetivo de tal  interlocução é proporcionar uma efetivação ético-política dos conhecimentos oriundos do Comportamentalismo Radical, potencializada por um contato cuidadoso com as questões próprias da práxis social comunitária, voltando-se para um diálogo com outras culturas acadêmicas, tendo em vista seu isolamento em relação a outras propostas científicas.

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[ARTIGO] A Análise do Comportamento é uma ciência isolada?

Essa é uma pergunta que vem sendo discutida na literatura internacional desde os anos de 1930, com as primeiras publicações de Skinner, e também no Brasil, com as obras conceituais de Banaco (1997) e Rodrigues (2002), por exemplo. Por conta do caráter teórico destas obras brasileiras, Strapasson, Zuge e Cruz (2017) tiveram como objetivo elaborar um estudo sistemático sobre o tema, investigando a comunicação da Análise do Comportamento com outras áreas da Psicologia no Brasil.

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Reflexões sobre a discussão do (in)determinismo na Análise do Comportamento brasileira

Rodrigues e Strapasson (2019) se esforçam para analisar a pluralidade de propostas teóricas relacionadas à temática do debate entre perspectivas deterministas e indeterministas no âmbito da Análise do Comportamento brasileira. Os autores investigam as teses mais proeminentes a respeito do assunto, e executam uma comparação entre elas em termos epistemológicos e ontológicos. 

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[Resenha de Livro] Debates sobre Feminismo e Análise do Comportamento

O livro “Debates sobre Feminismo e Análise do Comportamento”, das organizadoras Renata Ribeiro e Táhcita Mizael, tem como objetivo principal reunir um material voltado para a discussão entre a temática da desigualdade de gênero e a ciência analítico-comportamental, ressaltando a relevância de tal discussão política dentro da Análise do Comportamento, uma vez que a teoria é constantemente acusada de negligenciar, em suas análises, reflexões ético-políticas, desconsiderando o contexto mais amplo de contingências culturais e institucionais. Concluímos que uma aproximação com o Feminismo, poderia instigar a potencial contribuição da Análise do Comportamento para mudar formas opressivas de controle social, em direção à construção de um mundo melhor.

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[ARTIGO] Análise de erros: O que essa resposta significa?

Imagine a seguinte situação: em um contexto de prova, uma resposta provável é descrever acerca do seu conhecimento específico da questão e a consequência pode ser um acerto ou erro. Neste exemplo, você pode ter um conhecimento da área e (1) responder trocando um termo, (2)  não se lembrar de um termo específico, (3) lembrar de algumas letras da palavra solicitada, mas não do termo em si ou (4) deixar a resposta em branco. Todas são respostas prováveis, mas as consequências para todas é uma: Erro! Este exemplo é mais comum do que parece! Que tal propormos uma análise dos erros a fim de garantir uma maior clareza das respostas complexas como às exigidas em avaliações?

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[Artigo] Análise do Comportamento como Prática Política

Os analistas do comportamento têm discutido questões éticas desde os primeiros momentos em que a Análise do Comportamento começou a demonstrar seu potencial para explicar e intervir sobre problemas sociais. Tais questões envolvem tanto os limites da aplicação da análise do comportamento quanto a avaliação desses problemas em diferentes contextos. Dentre os trabalhos realizados na área, destacam-se as produções de James G. Holland voltadas para aspectos importantes, mas nem sempre evidentes da prática dos analistas do comportamento. Ao longo do texto serão apresentadas as principais críticas e sugestões realizadas por Holland à aplicação da Análise do Comportamento e, posteriormente, uma avaliação sobre sua relevância no cenário atual, uma vez que, apesar de serem direcionadas às práticas dos analistas do comportamento estadunidenses até a década de 70, são problemas que permanecem atuais.

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“O que é metacontingência e por que é (des)necessária?”

Leitores e leitoras,

O Boletim Contexto tem a enorme satisfação de trazer mais um debate, agora sobre o tema Metacontingências. É característica desta modalidade de publicação trazer textos mais extensos do que os publicados semanalmente no blog, visto a necessidade de garantir que os convidados tenham a possibilidade de nos contemplar com uma discussão com a profundidade e cuidado que o tema requer. Convidamos para compor este debate o professor emérito e pesquisador associado da Universidade de Brasília, Dr. João Claudio Todorov, a Dra. Camila Muchon de Melo, professora adjunta do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina, o Dr. Kester Carraca, professor adjunto do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências da UNESP e, por fim, o professor Dr. Bernard Guerin da University of South Australia. Vale ressaltar que o texto do Dr. Bernard Guerin foi escrito originalmente em inglês, e depois traduzido pelo colaborador Christian Reis para o português. A escolha da ordem de apresentação dos convidados e de seus comentários visou unicamente facilitar a compreensão para os leitores. Leitores e leitoras estão convidados(as) a deixar também os seus comentários.

Nosso mais profundo agradecimento aos convidados por terem aceitado participar e por dedicarem seu precioso tempo para tecer reflexões sobre tal tema e suas implicações.

Comentários do Dr. João Claudio Todorov

A palavra metacontingência foi proposta em 1986 por Sigrid Glenn (Glenn, 1986) para se referir a efeitos coletivos a médio ou longo prazos de operantes individuais independentes. Em 1987 foi usada como um conjunto de contingências e metacontingências que programa um determinado Produto Agregado (Todorov, 1987). Durante 20 anos aparece principalmente em artigos teóricos, como o que se dedica a explicar o comportamento dos eleitos no Congresso americano (Lamal & Greenspoon, 1992).

Contingência é uma relação condicional entre dois eventos. No caso da contingência comportamental, se um comportamento ocorrer, então uma consequência ocorrerá em tais e quais circunstâncias. Uma consequência pode ocorrer sempre que o comportamento ocorre, ou depois de repetidas ocorrências do comportamento, ou dependendo do tempo decorrido desde a última ocorrência dessa consequência, ou dependendo de inúmeras combinações de tempo e número de respostas, e de relações fixas ou variáveis. Resumindo: o conceito de contingência comportamental abarca infindáveis exemplos de interações comportamento-ambiente, inúmeras das quais estão documentadas em livros e artigos científicos, como, por exemplo, na Revista Brasileira de Análise do Comportamento.

Metacontigência é uma relação condicional entre a colaboração de pelo menos duas pessoas (contingências comportamentais entrelaçadas) que resulta em determinado produto e alguma consequência programada por um ambiente cultural selecionador. Metacontingências podem ser classificadas de acordo com o tipo de relação de consequência (cerimoniais ou tecnológicas) e da especificação do produto agregado (conservadoras ou transformadoras), e de combinações de relação de consequência e especificação do produto (por exemplo, cerimonial conservadora, tecnológica transformadora, etc., Todorov, 2013). Uma metacontingência não é apenas um jogo de contingências individuais de pessoas diferentes. Uma metacontingência consiste em contingências individuais entrelaçadas, que produzem um mesmo efeito e levam a uma mesma conseqüência (Lamal & Greenspoon, 1992). No caso das práticas culturais, o agente a ser selecionado é o efeito (Produto Agregado) produzido pela prática (as contingências comportamentais interligadas). A variação é proporcionada por permutações no comportamento dos indivíduos que participam da prática (Glenn, 1991, pp. 62-63). Há uma ênfase no processo seletivo do entrelaçamento de muitos operantes e, consequentemente, na transmissão de padrões comportamentais através do tempo, reforçando também a ideia de que a unidade de análise pode ser a relação entre o entrelaçamento e o produto agregado (Glenn, 1988), a descrição das funções de diferentes efeitos ambientais produzidos pelo entrelaçamento (Glenn & Malott, 2004) e uma diferenciação entre processos de variação e seleção que ocorrem em nível individual (relações de macrocontingência) e processos de variação e seleção que ocorrem em nível cultural (relações de metacontingência, Malott & Glenn, 2006; Martone & Todorov, 2007; Glenn et al., 2016).

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[Artigo] Apenas um dos diversos motivos para defender a intervenção psicológica na escola

Para muitas crianças a escola é o primeiro ambiente que permite o estabelecimento de novos tipos de interações sociais para além da família. Essas interações são importantes para que elas possam se desenvolver como indivíduos, mas também como membros de um grupo (aprender sobre regras de convivência, desenvolver habilidades interpessoais, etc) e de uma sociedade complexa (aprender sobre cidadania e valores éticos, por exemplo). 

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Para além da privacidade

A subjetividade humana é ponto de amplo debate no âmbito das diferentes teorias psicológicas e, no âmbito da Análise do Comportamento, o assunto é tradicionalmente discutido a partir do conceito de eventos privados. Pompermaier e Lopes (2017) se esforçam em construir uma análise crítica acerca do conceito e da noção de privacidade, identificando algumas teses problemáticas na apreciação dos eventos privados, assim como indicando possíveis caminhos alternativos para o tratamento das questões relativas à subjetividade nos limites da filosofia comportamentalista radical.

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[Artigo] Uma análise de relatos verbais de alunas sobre situações de assédio sexual no contexto universitário

Tendo em vista que a dominação masculina, em nossa cultura ocidental, se pauta em uma relação estrutural, ou seja, é mantida por meio de práticas culturais que são selecionadas e mantidas por meio das gerações, Linhares e Laurenti (2018) investigaram tais práticas no ambiente universitário, por meio da análise de relatos verbais de alunas postados em uma página do Facebook. As autoras ressaltam a importância da denúncia e da criação de instâncias na universidade que possam acolher, encaminhar, discutir e prevenir casos de assédio sexual.

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[Artigo] O que temos a dizer sobre a cooperação?

O que os estudos experimentais têm a dizer acerca da cooperação? A cooperação pode se relacionar com outras áreas, por exemplo, com a análise do comportamento, áreas do desenvolvimento e da evolução? Estas foram perguntas que três pesquisadores da Universidade de São Paulo se perguntaram e buscaram discutir por meio deste artigo científico. Assim, o artigo de hoje vai apresentar o trabalho desenvolvido por Suarez, Nascimento e Benvenutti, 2018.

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