Existe lugar para estatísticas na ciência do comportamento?

Eu não sei vocês, mas saber se “existe lugar para estatísticas na ciência do comportamental” é uma questão que me faz pensar. Hoje, vamos discutir sobre o texto de Young (2017). No texto de  Young, discute-se sobre o ceticismo em relação à estatística na análise do comportamento, apresenta algumas práticas comuns utilizadas por analistas do comportamento e – spoiler – propõe que a análise do comportamento é um local apropriado para o uso de estatística. Ficou curiosa (o)? Então, vamos lá!

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[Resenha de Livro] B. F. Skinner: Uma Biografia do Cotidiano Científico

O livro “B. F. Skinner: Uma Autobiografia do Cotidiano Científico”, de Robson Nascimento da Cruz, tem como objetivo principal fazer compreender que a ciência é mais do que está presente nas descrições dos resultados científicos é: prática social. Compreender o behaviorismo radical é saber da inevitabilidade da relação entre a vida cotidiana e os fatos científicos pesquisados por Skinner. É perceber como as condições da sua história pessoal e institucional produziram singularidades em seu projeto científico, assim como, na recepção do seu pensamento e, também, na organização social dos primeiros praticantes de sua abordagem psicológica. Assim, esclarece que a neutralidade de uma ciência não é possível.

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[Artigo] Possibilidades de investigações analítico-comportamentais sobre o racismo institucional

 

Nesse artigo, os autores se propuseram a elencar possibilidades de investigação empírica em um dos contextos nos quais se faz presente o racismo institucional: as abordagens policiais. A maioria dos brasileiros (54,9% de acordo com o IBGE de 2016) declara sua cor como negra (preta ou parda). Mas isso não impede que o preconceito racial ocorra em diversos contextos, como na universidade, instituições de saúde, vida social, etc. Uma análise funcional do comportamento individual considerado preconceituoso é fundamental pois topografias semelhantes nem sempre envolvem as mesmas funções. Recentemente, estudos sobre o preconceito racial tem adotado uma perspectiva que tira o foco do comportamento individual e enfatiza os processos culturais envolvidos (Lopez, 2012; Trad et al, 2016, 2017; Weichert, 2017). Nessa direção têm se discutido, por exemplo, o racismo institucional, que pode ser definido como “o fracasso das instituições e organizações em prover um serviço profissional e adequado às pessoas em virtude de sua cor, cultura, origem racial e étnica” (Brasil, 2006, p. 22). 

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[Artigo] Uma Análise do Conceito de “Eu” nos Textos de B. F. Skinner

Uma das grandes críticas endereçadas a filosofia skinneriana, o comportamentalismo radical, diz respeito a sua suposta negligência em relação a noções como individualidade, e subjetividade. Um dos conceitos centrais nessa discussão parece ser a noção de “eu”, tradicionalmente utilizada no campo de conhecimento psicológico, e afeita à lógicas de explicação internalistas e causais. Tendo como pano de fundo tal discussão, Malacrida e Laurenti (2018) procuram esboçar os limites da acepção de “eu” no âmbito da filosofia comportamentalista radical. Para tanto, recorrem às noções de auto-observação, autodescrição, autoconhecimento, autocontrole, autogoverno e autoedição para propor uma interpretação do “eu” alternativa àquela característica de doutrinas mentalistas.

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Abertura da chamada de publicação da Comportamento em Foco

Caros(as) Associados(as) da ABPMC e congressistas do Encontro Brasileiro de Psicologia e Medicina Comportamental,


Comunicamos o novo prazo para submissão de trabalhos à Comportamento em Foco. Convidamos a submeterem seus manuscritos autores que apresentaram trabalhos nas modalidades de palestra, mesa redonda, simpósio, sessão coordenada, minicurso ou primeiros passos nas edições de 2018 e/ou de 2019 do Encontro Brasileiro de Psicologia e Medicina Comportamental (realizadas em São Luís-MA e Goiânia-GO). Submissões serão aceitas até 06 de Outubro de 2019, e deverão ser encaminhadas em conformidade com as diretrizes para autores e o modelo de capítulo, para o e-mail comportamentoemfoco@abpmc.org.br

Contamos com vossas submissões para a divulgação da produção nacional em Análise do Comportamento.

Atenciosamente,

Angelo A. Sampaio
César A. A. Rocha

Diego Zilio
Monalisa F. F. C. Leão
Comissão Editorial da Coleção Comportamento em Foco
Comissão de Publicação e Editorial da ABPMC

[Artigo] Cultura do estupro: considerações sobre violência sexual, feminismo e Análise do Comportamento

Nos últimos anos a Análise do Comportamento vem se propondo a estabelecer diálogos com diversas áreas do conhecimento. Um dos férteis diálogos, neste contexto, se dá na interlocução das teorias feministas com os pressupostos analítico-comportamentais. Tendo isso em vista, Freitas e Morais (2019) apresentam uma discussão que visa estabelecer o conceito de cultura do estupro como peça chave no âmbito desse debate. A cultura do estupro, segundo as autoras, pode ser analisada a partir de um conjunto de contingências específicas que geram comportamentos característicos da violência sexual. O trabalho apresenta possibilidades de análise dessa problemática utilizando-se de um viés analítico-comportamental para descrever tais práticas de dominação.

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CARTA ABERTA À COMUNIDADE CIENTÍFICA: COMO INCLUIR MÃES NOS CONGRESSOS

“A comunidade científica vem discutindo temas muito importantes: inclusão, questões de gênero e raça, feminismo. Nós queremos dar a nossa contribuição sobre um aspecto que nos é muito caro: a maternidade – mais especificamente, a participação de mães em congressos e eventos científicos. É difícil explicar, entender e pensar o que mães precisam para serem incluídas em situações como os congressos. E, sendo mães, é difícil termos tempo até de contar para os outros quais são as nossas necessidades, mas precisamos falar! Nesta carta, apresentaremos algumas demandas que, mesmo simples diante da complexidade de se organizar um congresso, servem para que essas necessidades sejam satisfeitas e, assim, mães possam se sentir acolhidas novamente na comunidade.

Em nossa cultura, tarefas que envolvem cuidado com os filhos ainda são vistas como essencialmente femininas: o custo comportamental recai majoritariamente sobre as mulheres. Isso é tão relevante que a diferença salarial entre homens e mulheres se deve em grande parte às perdas salariais para as mulheres que são mães (Chung, Downs, Sandler, & Sienkiewicz, 2017; Grimshaw & Rubery, 2015). Não é raro ouvir de empregadores que é “justo” um certo nível de diferença de salário porque mulheres engravidam. Adicionalmente, uma pesquisa publicada pela Fundação Getúlio Vargas (Machado, Neri, & Pinho Neto, 2017) mostrou que, dois anos após a licença maternidade, metade das mulheres brasileiras havia saído do mercado de trabalho, na maioria das vezes, tendo passado por uma demissão sem justa causa após o retorno da licença. Os mesmos índices não são observados com homens que se tornam pais. Ou seja, a maternidade tem impactos reais sobre a vida profissional de mulheres!

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[Artigo] Avaliação de um simulador brasileiro para Terapia Comportamental com Realidade Virtual

A exposição a situações ou objetos que provocam medo é uma técnica comumente utilizada para o tratamento de medos e fobias. Zamignani (2001) sugere que a exposição ao estímulo temido deveria ser gradual e repetida, podendo ser realizada na forma imaginária, por meio do uso de vídeos, ao vivo ou através de realidade virtual (RV). Simuladores desenvolvidos explicitamente para o uso em psicoterapia são novos no Brasil, e a sua combinação com outros procedimentos terapêuticos comportamentais ainda é rara. Diante da escassez de ferramentas, o objetivo do estudo de Zacarin, Borloti & Haydu (2019) é o de avaliar um novo simulador de RV em um procedimento terapêutico comportamental com uma amostra clínica com acrofobia.

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[Artigo] O que nos torna analistas do comportamento?

É inegável que a atuação dos analistas do comportamento deve ter como norte as construções teóricas da área. Para Zilio (2019), tais construções teóricas desempenham um papel ainda mais essencial: seriam o elemento definidor da análise do comportamento, não apenas mais uma dimensão da área. Entretanto, para compreender melhor a questão, será necessário definir as possíveis interpretações para o termo “teoria” e, posteriormente, esclarecer a importância da teoria ao longo de toda a extensão da atuação do analista do comportamento. 

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[Artigo] Afinal, jogos de videogames violentos devem ser uma preocupação para a sociedade?

Não é de hoje o debate acerca da influência dos jogos violentos em comportamentos agressivos. O debate é caloroso para ambas opiniões. Aposto que você já deve ter se perguntado: afinal, jogos de videogames violentos devem ser uma preocupação para a sociedade? O texto de hoje vai apresentar uma meta-análise (analisada e reanalisada) com uma abordagem que localiza a posição provável das estimativas do tamanho real médio do efeito.  

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[Artigo] Uma Interpretação Relacional da Noção de Atividade no Comportamentalismo Radical

Uma questão que  levanta discussões em várias áreas da psicologia é se os indivíduos são ativos, senhores do próprio destino, autônomos. O Comportamentalismo Radical é acusado de compreender o sujeito como um indivíduo passivo, à mercê do ambiente, um fantoche. Mas o grande ponto é: para o Comportamentalismo Radical não existe uma separação entre pessoa e comportamento, ao conceber tal unidade entende-se que a pessoa é comportamento, que o sujeito é parte interativa do ambiente.

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[Artigo] Por uma definição funcional dos respondentes

Pela Análise do Comportamento, aprendemos que a melhor forma de compreender os nossos comportamentos é começando por uma definição funcional deles e não topográfica. A definição funcional é mais completa e é capaz de relacionar as respostas, ao contexto imediato e à história de interações do organismo com seu ambiente presente e passado. Essa forma de ver e descrever o objeto da Psicologia, definido nesta ciência como o comportamento, é bastante utilizada quando estamos nos referindo ao que conhecemos como comportamento operante, no entanto, Leslie (2018) levanta uma crítica aos analistas do comportamento que, segundo o autor, costumam descrever os comportamentos respondentes apenas de forma topográfica. Em seu artigo “A ontologia do Comportamento” (do inglês The ontology of behavior), publicado na Revista Europeia de Análise do Comportamento, o autor expõe suas críticas e discute algumas propostas a partir da ecologia comportamental. Continuar lendo [Artigo] Por uma definição funcional dos respondentes

[Artigo] Uma visão analítico-comportamental do perfeccionismo na academia

Bosi (2011) discute a intensificação do trabalho docente observada nos últimos 20 anos. Atualmente, compete ao professor universitário ministrar aulas; captar recursos para as suas pesquisas; organizar e participar de eventos; orientar mestrado, doutorado e iniciações científicas; publicar artigos em revistas mais bem avaliadas, etc. Não por acaso, o docente chega a cumprir uma jornada de trabalho de 60, 70 horas semanais (Bosi, 2011). A lógica mercantil tornou o trabalho acadêmico um produto a ser avaliado em termos de quantidade. Dessa forma, a qualidade de um programa de pós-graduação, a distribuição de bolsas, a manutenção da própria carreira acadêmica está, gradativamente, mais dependente da quantidade de conhecimento produzido em um determinado intervalo de tempo. Bosi (2011) ressalta, “como intelectuais, antes éramos pagos para pensar e produzir. Hoje somos pagos somente para produzir”; e ainda se refere ao fato de que, no Brasil, a mercantilização da produção acadêmica está embasada por leis, decretos, medidas e editais.

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[Artigo] Equivalência de estímulos para o ensino de leitura e escrita em japonês

O paradigma de equivalência de estímulos tem sido vastamente aplicado em pesquisas para o ensino de leitura e escrita, com resultados bastante satisfatórios. O procedimento consiste na escolha de um estímulo a partir de outro estímulo, chamado de estímulo modelo (talvez você já tenha ouvido por MTS ou matching to sample).

Tente imaginar a seguinte situação: em uma situação programada, quando um estímulo é apresentado, por exemplo a palavra falada /flor/, você é convidado a selecionar um outro estímulo, a figura de uma flor. De forma semelhante, quando é ditada a palavra /borboleta/ você deveria clicar na figura correspondente – uma borboleta. Parece tranquilo até aqui, né?! Então vamos inserir mais uma relação! Agora, diante da nomeação de /flor/ temos a palavra impressa “flor” (sim, é nela que você deveria clicar) e o mesmo acontece com a nomeação de /borboleta/ e  a palavra impressa “borboleta”. Tranquilinho, né?! (E se você responder para um estímulo que não é o correspondente que eu estabeleci? Eu vou te dar outra chance e sinalizar quando você acertar e errar! Fique tranquilo). Continuar lendo [Artigo] Equivalência de estímulos para o ensino de leitura e escrita em japonês

[Artigo] A estratégia do Bolsa Família é eficiente?

O Bolsa Família existe há 16 anos como um programa que reverte uma renda mensal para famílias sob alguns critérios de inclusão, viabilizando que esses garantam o acesso a serviços essenciais, como alimentação, saúde e educação. Valderlon e Elias (2019) discutem a partir do viés do design cultural, as potenciais e principais consequências dessa estratégia de distribuição de renda. Os autores publicaram suas análises na revista Behavior and Social Issues no início deste ano. Continuar lendo [Artigo] A estratégia do Bolsa Família é eficiente?