[Artigo] Uma bibliografia atualizada de John B. Watson

Strapasson (2020) se dedica a explorar o vasto trabalho de Watson, revisitando bibliografias já publicadas sobre o autor, e propondo uma nova versão, mais completa e atualizada. Strapasson (2020) consultou arquivos e autores de versões anteriores visando propor a mais completa bibliografia sobre um dos principais behavioristas do século XX.

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[RBTCC] Chamada de Artigos para a Seção Especial sobre História e Ensino da Análise do Comportamento

Em 1961, Fred Keller veio ao Brasil atuar como professor visitante na Universidade de São Paulo e começou o ensino, a pesquisa e a disseminação da Análise do Comportamento no país. Sua atuação na formação da primeira geração de analistas do comportamento e sua colaboração com brasileiros no desenvolvimento do Sistema Personalizado de Ensino (Personalized System of Instruction – PSI) deixaram marcas indeléveis na psicologia nacional e na história das tecnologias de ensino. A Análise do Comportamento no Brasil, desde seus primórdios, tem se preocupado com o ensino e disseminação dessa ciência e, coerentemente, se preocupa em fazer isso seguindo os princípios comportamentais advindos da própria área.

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Treinamento online para implementação de análise funcional em crianças com TEA

A análise funcional do comportamento é o fundamento para intervenções com crianças com deficiência intelectual e de desenvolvimento, sendo considerada parte central da Análise do Comportamento Aplicada, tratamento padrão ouro dessa população nos Estados Unidos. Porém, muitas famílias não possuem o acesso a essas intervenções, por inúmeros motivos, como a distância geográfica, os custos do serviço e, mais recentemente, ao isolamento social frente à pandemia de COVID-19. Uma das possíveis consequências da falta de acesso ou da interrupção do tratamento é, ao longo do tempo, piorar a frequência e/ou intensidade com que os comportamentos desafiadores são apresentados. Frente a este cenário, a intervenção online com auxílio de responsáveis pela criança pode diminuir a dificuldade de acesso a este serviço. Por isso, o objetivo de Gerow et al (2020) foi avaliar o uso das análises funcionais breves implementadas pelos pais que receberam treinamento online.

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[Artigo] O desafio dos dilemas morais em tempos de COVID-19

No ano passado o mundo foi forçado a lidar com uma situação sem precedentes. Uma pandemia nos obrigou a adaptar nossa rotina, estabelecer limitações e repensar nossa conduta baseada em valores. Os impactos a curto e longo prazo serão diversos, mas a literatura já fala de uma “segunda pandemia”, que diz respeito aos efeitos que os eventos atuais terão na saúde mental da população de uma maneira geral. Abordando essa problemática, Borges, Barnes, Farnsworth, Drescher e Walser publicaram, em 2020, o artigo “A contextual behavioral approach for responding to moral dilemmas in the age of COVID-19”. O artigo se propõe a falar um pouco sobre esse tema, sugerindo caminhos de cura baseados na ciência comportamental contextual.

Em nosso atual contexto, nos deparamos com dilemas morais a todo momento, seja em um nível individual (por exemplo, sair para trabalhar para conseguir sustentar uma família versus expor familiares de grupo de risco à doença por conta das saídas), seja em nível coletivo (por exemplo, atuar em função de prevenir um número alto de mortes versus prevenir um grande prejuízo econômico). Esses dilemas morais levam muitas vezes a severos conflitos de valores, que por sua vez terão impactos que perdurarão mesmo após o fim da pandemia.

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[Entrevista] Peter Sturmey: Como fazer uma boa conceituação de caso e integrar familiares e funcionários no tratamento

O Boletim Contexto teve o prazer de receber Peter Sturmey, professor de Psicologia na City University of New York, para uma entrevista. Sturmey é especialmente reconhecido por seu trabalho em duas áreas dentro da Análise do Comportamento Aplicada. Em primeiro lugar, pelos seus estudos empíricos sobre o ensino de habilidades comportamentais (BST – do inglês, Behavioral Skills Training) para familiares e funcionários de instituições que trabalham com pessoas de desenvolvimento atípico. Em segundo lugar, pelos seus livros sobre formulações de caso baseadas na análise funcional. Ele comenta sobre ambas ao longo da entrevista, incluindo algumas opiniões polêmicas a respeito da importância da história na conceituação de caso.

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[Artigo] Realidade Virtual como recurso para terapia comportamental do medo de altura

A Realidade Virtual tem sido utilizada na terapia de exposição de diversos transtornos na chamada Virtual Reality Exposure Therapy (VRET). No tratamento de medo de altura seu uso pode ser vantajoso, pois possibilita maior segurança durante a exposição.O presente estudo elaborado por Oliveira, Borloti, Banaco e Haydu (2020) investigou os efeitos de um procedimento de intervenção comportamental com análise de contingências dos comportamentos, combinado à VRET no tratamento de medo e fobia de altura. As pessoas que sofrem de medo de altura acabam lidando com mais dificuldade com o seu dia a dia, uma vez que frequentemente se esquivam de situações corriqueiras para a maioria da população, como usar um elevador, subir escadas ou atravessar uma passarela. O procedimento psicoterapêutico mais utilizado para esse tipo de transtorno é a terapia de exposição ao estímulo temido, podendo ser feita com o uso da realidade virtual (RV), caracterizando a terapia de exposição à RV (Virtual Reality Exposure Therapy – VRET). Na VRET, o paciente pode ser exposto à cenas de altura de forma segura e o terapeuta tem maior controle dos estímulos virtuais a serem usados na exposição

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[Artigo] Práticas de violência simbólica da cultura de dominação masculina: uma interpretação comportamentalista

Fontana & Laurenti (2020) analisam algumas das práticas características da cultura de dominação masculina a partir dos estudos do sociólogo francês Pierre Bourdieu, e propõem uma interpretação analítico-comportamental acerca de alguns pontos destacados pelo autor. A ferramenta de análise da contingência de três termos é utilizada para nortear a discussão e identificar os contextos, as práticas e as consequências culturais que participam do fenômeno.

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Avaliações e Intervenções de Comportamentos Autolesivos, uma revisão de literatura

O comportamento autolesivo é composto por uma série de respostas com a característica de provocar feridas/machucados em si mesmo, como se coçar muito forte, se bater (ou bater alguma parte do corpo contra um objeto), se morder, etc. Esses comportamentos são especialmente presentes em pessoas com transtornos de neurodesenvolvimento, que abrangem a deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, entre outros. A partir disso, Britto, Alves e Marcon (2020) realizaram uma revisão narrativa de estudos analítico-comportamentais sobre o tema, a fim de identificar evidências de avaliação e intervenções nos comportamentos-problema de indivíduos com transtornos de neurodesenvolvimento.

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[ARTIGO] O que é violência? Uma análise sobre os usos do termo na literatura analítico-comportamental

Segundo a Organização Mundial de Saúde [OMS] (2018), violência se refere “ao uso intencional da força física ou poder (…) contra si mesmo, outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade, que resulta ou tem alta possibilidade de resultar em injúria, morte, danos psicológicos, baixo desenvolvimento ou privação” (p. 4). A partir dessa definição, Almeida e Zilio (2020), apontam que atos de violência podem ser cometidos de várias formas (topografias), por razões variadas (funções), e devido a fatores distintos (contextos). Buscando compreender o uso do termo “violência” na literatura analítico-comportamental, Almeida e Zilio (2020) conduziram uma análise  quantitativa e qualitativa de textos em análise do comportamento, de forma a localizar e descrever as categorias de pesquisa sobre violência, as suas dimensões temáticas de estudo e as principais categorias comportamentais a elas associadas.  

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Relações verbais e a aprendizagem de um novo idioma

Aprender um novo idioma pode envolver o desenvolvimento de quatro relações: (1) uma de tato (diante de um estímulo não-verbal, emitir nome do estímulo de acordo com o idioma a ser aprendido), (2) uma de ouvinte (emitir uma resposta de orientação para um estímulo não-verbal ao ouvir seu nome correspondente no idioma a ser aprendido), (3) uma relação bidirecional intraverbal entre  o novo idioma e seu correspondente ao idioma nativo (vocalizar determinada palavra no novo idioma ao ouvir seu correspondentes no idioma nativo), e (4) outra relação bidirecional intraverbal entre o idioma nativo e seu correspondente no novo idioma (vocalizar determinada palavra no idioma nativo ao ouvir seu correspondente no novo idioma). De acordo com Skinner (1957), relações verbais como estas são funcionalmente independentes, ou seja, a aquisição de uma delas não necessariamente significa o desenvolvimento de outra. Porém, quando relações verbais compartilham um ou mais estímulos, é possível que a aprendizagem de uma destas possa levar à emergência de outras. O estudo de Cortez, Santos, Quintal, Silveira e de Rose (2019) buscou investigar melhor esta questão.

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[Artigo] Autocontrole cultural: efeitos da interação verbal sobre a seleção de culturantes

Almeida, Valderlon e Tourinho (2020) discorrem que vários problemas sociais podem estar relacionados à maneira como as culturas gerenciam seus recursos e algumas práticas de consumo de recursos podem pôr em risco a própria sobrevivência das culturas que a executam. Acerca disso, a análise do comportamento sugere que a identificação e o planejamento de contingências comportamentais e culturais deveriam ser empregados no enfrentamento de problemas culturais. Um dos procedimentos de análise acerca de fenômenos culturais é a metacontingência, assim o estudo utilizou desse conceito para  avaliar o autocontrole cultural, em que foram avaliados efeitos da interação verbal sobre a seleção de culturantes.

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[Artigo] Arte e Comportamentalismo Radical: Um estudo de caso de Walden Two


Vitti & Laurenti dedicam-se a analisar os comportamentos artísticos e as contingências envolvidas em seu planejamento na novela Walden Two, livro em que Skinner propõe uma sociedade alternativa ao modo de vida típico do mundo ocidental. São investigadas as variáveis presentes em tais contingências, bem como algumas das implicações sócio-políticas da arte nesse contexto. 

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[Artigo] Um breve tutorial sobre a Terapia de Aceitação e Compromisso à luz da Teoria das Molduras Relacionais

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é um modelo terapêutico que tem sido cada vez mais explorado mundialmente, com um alto número de evidências de sua eficácia em diversos campos. Sua relação com a Teoria das Molduras Relacionais (RFT) é explicitada em muitos dos materiais da área, mas nem sempre fica tão clara. Ambas se baseiam na ideia de que a linguagem traz um sofrimento único aos seres humanos, e essa ideia é conceitualizada e explorada a partir do conceito de responder relacional arbitrariamente aplicado (RRAA). Enquanto a RFT traz uma perspectiva básica do conhecimento, a ACT se constitui como uma proposta de intervenção voltada para lidar com as questões psicológicas levantadas a partir da linguagem e cognição.

Com o aumento das publicações de manuais voltados para a prática e com a busca por comunicação com profissionais das mais diversas áreas, muito do material da ACT tem sido construído com linguagem mais simples, com foco maior na instrumentalização do terapeuta, em detrimento da explicaçãodas bases por trás do modelo. McEnteggart, em seu texto “A brief tutorial on Acceptance and Commitment Therapy through the lens of derived relational responding”, publicado em 2018, argumenta que, embora a ligação entre base e intervenção venha sendo menos explorada, ela ainda existe e inclusive pode ser desenvolvida e explorada a partir de desenvolvimentos recentes da RFT. A elucidação dessa ligação pode se mostrar importante no contexto atual das terapias contextuais, caracterizado pelo retorno do foco aos processos básicos e à avaliação de evidências de eficácia.

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[Artigo] Análise funcional dos itens do Inventário de Estilos Parentais

A fim de contribuir com a produção científica e tornar clara a utilização de termos nos estudos de Análise do Comportamento, é recomendada a análise da relação entre as variáveis antecedentes/consequentes e a resposta, que devem ser a base da descrição do comportamento. Em 1945, Skinner já criticava a utilização de definições cotidianas, principalmente no ambiente científico, uma vez que estas não incluem a descrição de como operam, de como são evocados e/ou mantidos. Dentre a infinidade de temas abrangidos por essa ciência, está o estudo de Estilos Parentais e o desenvolvimento do Inventário de Estilos Parentais (Gomide, 2006). Por isso, o objetivo do estudo de Santos e Coelho (2020) foi fazer uma análise funcional (e definição operacional) dos itens deste Inventário.

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Raciocínios, julgamentos, associações, memorização, imaginação…o que tudo isso tem a ver com a Análise do Comportamento?

         Quando alunos da graduação em Psicologia são introduzidos aos princípios comportamentais, uma pergunta muito comum de ser feita é: “mas e a mente?”. Quando o professor de Análise do Comportamento ouve essa pergunta, busca explicar para os alunos como os chamados “processos mentais” podem ser analisados a partir de uma visão externalista, em que as variáveis ambientais (Variáveis Independentes – VIs) seriam suficientes para a explicação das ações do indivíduo (Variáveis Dependentes – VDs), pois os dois eventos encontram-se em uma relação funcional (mudanças na VD são explicadas a partir de alterações na VI, sem necessidade de inferir outro processo). Porém, ainda assim muitos alunos se questionam: “ok, entendi, mas para resolver coisas na minha vida, como decisões sobre caminhos a seguir ou tarefas para resolver, eu faço julgamentos, análises, raciocínios…isso tudo não é mental?”. Essas são dúvidas legítimas e muito comuns em pessoas que ainda não estão familiarizadas com a Análise do Comportamento. Além do mais, aprendemos desde criança que processos mentais são os responsáveis por nos levar a tomarmos algumas decisões, o que faz com que a lógica do behaviorismo radical seja contrária ao que o aluno aprendeu até então em sua vida. O texto de Miguel (2018), que se propõe a descrever possíveis estratégias presentes na resolução de problemas, poderá nos ajudar na tarefa de compreensão de alguns dos chamados processos cognitivos a partir de uma perspectiva comportamental.

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