Retrospectiva Boletim Contexto 2018

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Mais um ano se passou e chegou a hora de fazer simpatias balanços do que fizemos este ano. Muita coisa aconteceu no país e no Boletim Contexto e vamos fazer uma retomada do nosso ano de 2018 em posts. Continuar lendo Retrospectiva Boletim Contexto 2018

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Proposição de novos critérios para a acreditação da ABPMC

Prezada comunidade de Analistas do Comportamento brasileira,

A consulta pública sobre critérios específicos para acreditação de atendimento de pessoas com desenvolvimento atípico foi profícua. Dando andamento à discussão, e tendo em vista a necessidade de celeridade no processo, a atual diretoria tem a honra de publicar no Boletim Contexto um texto da Comissão de Acreditação em consonância com a Comissão de Desenvolvimento Atípico. Tal texto traz os primeiros passos na direção de uma especificação na Acreditação da ABPMC para tratamento de TEA.

Adicionalmente, disponibilizamos três textos, sendo  um da Comissão de acreditação (apresentando o histórico pelo qual a mesma passou para descrever os critérios), uma carta da comissão de desenvolvimento atípico e um texto do professor Silvio Botomé discutindo o papel da Acreditação da ABPMC.

Esperamos que a comunidade aprecie a nova proposta pra que possamos colocá-la em votação.

Att.

A Diretoria

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[Debate] A proposta da Teoria das Molduras Relacionais (RFT) é mesmo diferente do que aprendemos com Sidman sobre o Paradigma da Equivalência de Estímulos?

Leitores e leitoras,

O Boletim Contexto tem a enorme satisfação de trazer a vocês um post por muito tempo idealizado. Desde que assumimos a Comissão de Publicações, no início de 2017, publicar discussões sobre temas fundamentalmente analítico-comportamentais era um objetivo, algo que consideramos uma grande contribuição para a nossa comunidade. Discussões sobre questões em aberto, conceitos e teorias que estão em construção nos tempos atuais eram nosso plano. Entretanto, as preocupações sobre o formato e a a maneira de abordar os convidados foram postergando este tão almejado projeto, mas finalmente conseguimos. O que vocês lerão é um post bem mais extenso do que o esperado para um blog, mas certamente com a profundidade que o assunto requer.

Convidamos o Dr. André A. B. Varella e o Dr. João Henrique de Almeida, ambos professores e pesquisadores no campo do comportamento simbólico para comentar o polêmico artigo de Alonso-Álvarez e Pérez-González (2017) intitulado Contextual control over equivalence and nonequivalence explains apparent arbitrary applicable relational responding in accordance with sameness and opposition. Neste artigo, Alonso-Álvarez e Pérez-González colocam em cheque a necessidade de se explicar o responder relacional com as molduras de IGUALDADE e OPOSIÇÃO da RFT em uma tarefa de discriminação condicional com controle contextual. A seguir, apresentaremos brevemente cada convidado. A escolha da ordem de apresentação dos convidados e de seus comentários visou unicamente facilitar a compreensão para os leitores.

O Dr. André Varella é psicólogo (UFSJ), mestre em Educação Especial (UFSCar), doutor em Psicologia (UFSCar), com período sanduíche na Universidade de Nevada, em Reno (USA) e pós-doutorado no Laboratório de Estudos do Comportamento Humano (UFSCar). É docente permanente e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Atua como editor associado da Acta Comportamentalia, Revista Brasileira de Análise do Comportamento (REBAC) e Revista Psicologia e Saúde, além de ser revisor de periódicos da área de Psicologia. É pesquisador associado do INCT-ECCE (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento Cognição e Ensino) e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Autismo e Comportamento (LAPAC), desenvolvendo pesquisas sobre linguagem e cognição humana, com ênfase no desenvolvimento de intervenções comportamentais para pessoas com autismo, além de pesquisas para ampliar e aprimorar a atenção às pessoas com autismo na rede pública de saúde (SUS). É diretor clínico do iABA – Instituto de Análise do Comportamento Aplicada (em Campo Grande-MS), atuando no tratamento ABA de pessoas com autismo e outros distúrbios do desenvolvimento.

O Dr. João Henrique de Almeira possui graduação em Psicologia (UFSJ), é mestre em Análise do Comportamento (UEL) e doutor em Psicologia (UFSCar). Realizou estágio de doutorado no exterior na National University of Ireland – Maynooth (NUIM) na Irlanda. Trabalhou como Pesquisador Visitante na Ghent University (UGent), em Ghent na Bélgica. Atualmente é Professor Voluntário e bolsista Fapesp de pós-doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – Processo Fapesp 2014/01874-7), membro do Laboratório de Estudos do Comportamento Humano (LECH) e do Grupo de Pesquisa de Cultura, Linguagem e Comportamento Simbólico (CLiCS) e membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE). É membro do corpo editorial da Psychological Record, Comportamento em foco e Editor convidado para o número atual da ACTA Comportamentalia e é revisor de periódicos nacionais e internacionais. Desenvolve pesquisas sobre processos comportamentais relacionados à linguagem e cognição humana especialmente pela perspectiva da Teoria das Molduras Relacionais (Relational Frame Theory-RFT), com foco em flexibilidade das redes relacionais, transformação e transferência de funções, investigação de vieses sociais e análogos experimentais de psicopatologias.

Iniciaremos pelos comentários do Dr. André Varella e em seguida passaremos aos comentários do Dr. João Henrique de Almeida. Leitores e leitoras estão convidados(as) a deixar também os seus comentários.

Nosso mais profundo agradecimento aos convidados por terem aceitado participar e por dedicarem seu precioso tempo na análise cuidadosa do artigo e de suas implicações.

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[Artigo] As histórias da sua vida são totalmente reais?

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Quantas vezes você já ouviu alguém, geralmente a pessoa mais velha da sua família, contar histórias sobre você, ou sobre outro membro da família, e essa história ser gradativamente alterada ao longo dos anos? Geralmente com a adição de um detalhe ou outro por conta dessa pessoa lembrar que “aquilo de fato existiu”, ou mesmo quando alguém que viveu no mesmo período adiciona um detalhe e essa história se modificada para todas as outras vezes que for contada. Agora imaginem esse processo de modificação da memória quando estamos tratando do reconhecimento facial de um criminoso. A depender do que nós informarmos a vítima sobre detalhes não tão verossímeis do crime ela pode alterar a escolha dela do criminoso para um inocente. Damos o nome desse processo de falsas memórias. Continuar lendo [Artigo] As histórias da sua vida são totalmente reais?

[Artigo] Implicações do antimentalismo para concepção de ciência

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A oposição ao mentalismo é uma das características marcantes do Behaviorismo, especialmente do Behaviorismo Radical. A Análise do Comportamento é sempre lembrada e descrita como a Psicologia que estuda o comportamento em detrimento da mente ou dos processos e estruturas mentais. As implicações dessa postura para o desenvolvimento da ciência psicológica são muitas, e não são poucos os que não compreendem o antimentalismo ou não se identificam com esta abordagem devido a divergências teóricas relativas à concepção de objeto de estudo da Psicologia. Moore (2018) se dedica a caracterizar as posturas mentalistas, descrevê-las e apresentar suas críticas ao behaviorismo, para então tecer os contrapontos e implicações de uma visão analítico comportamental que julga mais eficaz no que se refere à produção de conhecimento em Psicologia na ciência em geral.

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[Artigo] Fake news: fenômeno atual e possível intervenção

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Você com certeza já ouviu falar em Fake News, certo? Elas estão tomando as redes sociais! O candidato do outro partido faz, né? Ou seria o do seu? E você, qual a sua participação em tudo isso?

No contexto norte-americano, um estudo mostrou que três meses antes da eleição de 2016, entre Donald Trump e Hillary Clinton, 156 notícias enganosas receberam 38 milhões de compartilhamentos na rede social Facebook. Partindo da potencial gravidade dessa situação, Tsipursky e Morford (2018) propõem uma intervenção chamada Pro-Truth Pledge (PTP), algo como “Juramento em Favor da Verdade”. Essa proposta é baseada em uma pesquisa da ciência do comportamento sobre as possíveis causas do mentir e como preveni-lo, assim como em estratégias bem sucedidas de promoção de comportamentos pró-sociais.

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Lançamento do Volume 8 da Comportamento em Foco – Práticas Culturais, Sociedade e Políticas Públicas

 

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Prezadas(os) sócias(os) da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC), demais analistas do comportamento e interessados na ciência do comportamento,

É com satisfação e orgulho que anunciamos o lançamento do Volume 8 da coleção Comportamento em Foco, com o tema “Práticas culturais, sociedade e políticas públicas”.  Trata-se de um volume especial derivado, em sua maior parte,  do Simpósio de Contingências Sociais para a Sustentabilidade, ocorrido no XXV Encontro Brasileiro de Psicologia e Medicina Comportamental, realizado em 2016 em Foz do Iguaçu-PR.  O volume é composto por 8 capítulos com temas que versam sobre a perspectiva comportamental de políticas públicas, escolha, planejamento cultural, altruísmo, práticas culturais e análise das possíveis metacontingências de programas governamentais. Continuar lendo Lançamento do Volume 8 da Comportamento em Foco – Práticas Culturais, Sociedade e Políticas Públicas

[Debates] Propostas da Comissão de Desenvolvimento Atípico da ABPMC para a Acreditação do Analista do Comportamento

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São Paulo, 15 de Outubro de 2018

À Comunidade da ABPMC,

A Comissão de Desenvolvimento Atípico da ABPMC vem se reunindo, delineando e executando ações em grupo para esclarecer profissionais e consumidores sobre a prestação de serviços baseados em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para a população com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta da Comissão é sistematizar diretrizes que norteiem a formação profissional e favoreçam a oferta de práticas éticas e compatíveis com os princípios teóricos e conceituais da ABA.

Em setembro de 2018, a Comissão de Desenvolvimento Atípico juntamente com a Diretoria da ABPMC realizou uma consulta pública na Assembleia do XXVII Encontro da ABPMC (São Luiz – MA) sobre a possibilidade de adicionar critérios complementares para a acreditação de profissionais que trabalham com a Análise do Comportamento Aplicada ao TEA. Na ocasião, foi possível constatar que existem muitos pontos a serem esclarecidos e debatidos para que a comunidade de Analistas do Comportamento brasileira consiga definir uma posição majoritária sobre a proposta.

A Comissão de Desenvolvimento Atípico vem por meio deste documento descrever o cenário atual do nosso campo de atuação, compartilhar algumas preocupações e propor possíveis encaminhamentos.

Convidamos a nossa comunidade a continuar o debate iniciado no XXVII Encontro da ABPMC pelo Boletim Contexto.

Agradecemos desde já.

Atenciosamente,

COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ATÍPICO – ABPMC

Cintia Guilhardi – Coordenadora

Ariene Coelho

Cássia Leal da Hora

Claudia Romano

Leila Bagaiolo

Marilu Borba

Thais Sales


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[Artigo] Como tornar o sistema prisional mais efetivo?

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De acordo com dados do último Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, em junho de 2016, havia 726.712 pessoas privadas de liberdade no Brasil. Na mesma época, o sistema prisional contava com 368.049 vagas, criando uma taxa de ocupação nas prisões de 197,4%. Além da ocupação excessiva de estabelecimentos carcerários brasileiros, outro problema da privação de liberdade é a reincidência criminal. Embora não existam informações concretas sobre as taxas brasileiras de reincidência, pois diferentes pesquisas utilizam métodos distintos para coleta e análise de dados, estima-se que a reincidência criminal se encontra na faixa de 50% a 70% da população carcerária (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2015). Considerando as altas taxas de ocupação do sistema prisional e de reincidência, é possível considerar que a privação de liberdade não é efetiva para reduzir a criminalidade. Nesse sentido, Apel e Diller (2017) avaliam o encarceramento a partir do viés analítico-comportamental, não apenas destacando as variáveis que tornam a prisão pouco efetiva, mas também apontando de que maneira os analistas do comportamento podem auxiliar nesse problema social de grande escala.

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Nota: Análise do Comportamento a serviço da democracia e dos Direitos Humanos

Nesses dois anos de gestão, buscamos colocar a ABPMC a serviço dos direitos humanos e construir uma atuação politicamente engajada e questionadora. Buscamos reconhecer e combater as desigualdades silenciosas, porém gritantes, da nossa comunidade. Buscamos defender e incentivar a mudança social e o questionamento constante das práticas culturais da nossa comunidade de analistas do comportamento, mesmo (e, talvez, especialmente) quando esse questionamento causava desconforto. Assim, ficamos extremamente felizes ao ver nossos sócios cobrando uma posição institucional da ABPMC em relação às ameaças à democracia e aos direitos humanos que se configuram no cenário político brasileiro. Vemos que nossa mensagem foi transmitida com sucesso e que, a partir de agora, a ABPMC está decididamente impedida de se silenciar.
Podemos antever a preocupação de alguns sócios com tal pronunciamento, temendo que a ABPMC se vincule a partidos políticos ou que entre em searas que estão além da compreensão técnica que essa instituição representa. Essa preocupação é absolutamente legítima e também deve ser razão de vigilância e cobrança constante por parte da comunidade: a ABPMC depende da pluralidade para manter-se relevante e saudável. A ABPMC cresce no debate de ideias, e a Análise do Comportamento se fortalece quanto mais variabilidade nosso repertório verbal apresenta.
Por isso, acreditando que a postura que adotamos ao nos manifestar publicamente sobre o momento atual do processo democrático brasileiro é absolutamente condizente com o nosso compromisso e atuação até aqui, escrevemos este manifesto.
A história da Análise do Comportamento no Brasil começa em 1961, menos de quatro anos antes do golpe militar de 64. A partir de 1965, nossos pioneiros foram demitidos de suas universidades, expulsos de seus laboratórios, ou demitiram-se em solidariedade à perseguição política sofrida pelo corpo docente de suas instituições (Todorov, 2010). Nesse cenário desolador nossa ciência floresceu pelas fendas nos muros da ditadura, fazendo suas ditas “inofensivas” pesquisas com animais, com nossos pesquisadores espalhados pelo país, fundando cursos de psicologia, programas de pós graduação, inaugurando novos laboratórios. Nossa história tem cicatrizes da ditadura, e nossa comunidade foi profundamente moldada por essas experiências. Maria Amélia Matos fala sobre o impacto da abertura política no nosso desenvolvimento científico: nossos temas se tornaram mais socialmente relevantes, nossas investigações conceituais se fortaleceram, passamos a atuar em comunidades, no diálogo com outras áreas (Matos, 1998). A abertura política e o estado democrático foram parte indissociável das contingências que favoreceram o nosso desenvolvimento dentro da Psicologia – ao contrário do que nos diz o constante preconceito que associa o pensamento behaviorista ao autoritarismo.
Hoje, poderíamos falar sobre a ameaça do retorno de um regime ditatorial. Mas preferimos falar sobre o aumento da disponibilidade de reforçadores para discursos de ódio e que, em si só, violam direitos fundamentais. Quase 50 milhões de eleitores ofereceram um reforçador de altíssima magnitude – o seu voto – a um grupo de indivíduos que baseou sua campanha na ameaça aos direitos humanos e na exaltação da violência (exemplos aqui, aqui, aqui e aqui). É claro que precisamos considerar também que é pouco provável que o voto desses 50 milhões de eleitores esteja sob controle apenas desses aspectos do discurso do candidato Jair Bolsonaro. Os últimos anos se configuraram em um cenário de instabilidade, com sinalização constante do risco de punição negativa (diminuição do poder de compra e risco do desemprego, por exemplo), produzindo respostas intensas de fuga e esquiva. Sabemos que o voto em Jair Bolsonaro é não apenas o voto que busca apoiar esse discurso, mas também é o voto do contracontrole, de fuga e de esquiva. É o voto do medo, é o voto da tentativa desesperada de mudança.
Como sabemos, porém, o comportamento que ocorre sob controle de contingências aversivas envolve grandes respostas emocionais. Ódio, medo e intolerância se misturam de forma perigosa. Outro efeito deletério do responder por fuga ou esquiva está no fato de que ele geralmente ocorre sob controle da retirada imediata do estímulo aversivo. É mais difícil olhar adiante quando se teme o presente. É preciso lembrar, porém, que a ameaça de violação de direitos fundamentais retratada no discurso do candidato é um estímulo pré-aversivo para todos nós, especialmente para aqueles mais vulneráveis: a população LGBT, mulheres, negros e índios, pessoas pobres, pessoas com deficiência, crianças.
Escrevemos essa nota como um pedido: que toda a comunidade brasileira de analistas do comportamento busque olhar adiante. Que consigamos manter a esperança, a capacidade de vislumbrar um futuro com grandes reforçadores. Que pensemos com empatia, com cuidado. Que sejamos capazes de defender a nossa democracia e nossos direitos mais fundamentais, ainda tão recentes. Que lembremos dos nossos cientistas do comportamento pioneiros no Brasil, sua luta e suas perdas. Que levemos em consideração nossas próximas gerações de analistas do comportamento, as perguntas em aberto que deixaremos para eles e se eles terão a possibilidade de respondê-las, debatê-las com a comunidade e divulgá-las publicamente.
Mais uma vez citando nossa saudosa Maria Amélia Matos, “a História é mais forte que os sonhos, e a Ciência, que os quartéis” (Matos, 1998, p. 95).
Matos, M. A. (1998). Contingências para a análise comportamental no Brasil. Psicologia Usp, 9(1), 89-100.
Todorov, J. C., & Hanna, E. S. (2010). Análise do comportamento no Brasil. Psicologia: teoria e pesquisa, 26, 143-154.

[Inspirações] Mude e mude de novo, uma homenagem a John Anthony (Tony) Nevin (05/07/1933 – 23/09/2018)

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Tony trabalhando em sua apresentação no saguão do hotel (arquivo pessoal)

Esta homenagem foi escrita pelo Prof. Dr. Fábio Leyser Gonçalves (Departamento de Psicologia – Faculdade de Ciências – UNESP – Bauru).

Conheci Tony em 2017, na Winter Conference on Animal Learning and Behavior (em Park City, Utah). Com a verba sempre curta, entrei no link do evento que levaria a uma planilha de pessoas interessadas em dividir um quarto. O primeiro, e único, nome da lista era Tony Nevin. Pensei em desistir, afinal, um reles mortal como eu, iria dividir um quarto com um dos maiores nomes da Análise Experimental do Comportamento? Mas, as contingências (a verba) exigiam. Tomei coragem e escrevi me apresentando e perguntando se ele ainda estava procurando um colega de quarto. Recebi uma resposta extremamente alegre e acolhedora, dizendo que seria um enorme prazer dividir o quarto comigo.

Assim era Tony, uma pessoa simples, generosa, divertida e acima de tudo, adorável. Nos poucos dias que coabitamos o quarto, ele se tornou um grande companheiro de viagem. Aos 83 anos de idade confidenciou que era seu penúltimo evento, pois achava que estava na hora de descansar um pouco. Contou um pouco sobre sua vida, filhos, suas manifestações anti-Trump, presenciei o carinho que dirigia à esposa, querendo dividir com ela cada experiência, mesmo após 40 anos de casamento. Me mostrou e discutiu os dados que iria apresentar, como se fôssemos colegas de muitos anos e minha opinião pudesse acrescentar qualquer coisa. Aliás, sua apresentação naquele evento foi um dos maiores exemplos de como fazer ciência que já vi. O trabalho era uma reinterpretação de seus dados com base nos modelos matemáticos desenvolvidos por Peter Killeen. Mais de 30 anos trabalhando na teoria do Momento Comportamental e, de repente, ele dizia que seus modelos não estavam adequados, e que esses explicavam seus dados muito melhor (creio que uma versão mais completa foi publicada no início deste ano em um número especial do JEAB, do qual foi editor, em sua homenagem). Depois de 30 anos trabalhando em uma teoria de resistência à mudança, e ele preservava a capacidade de mudar com a maior naturalidade, guiado pela força dos dados. Poderíamos falar muito mais sobre sua trajetória acadêmica e profissional, mas o fato é que não perdemos, apenas, um grande Analista do Comportamento, perdemos um grande ser humano em todos os seus aspectos.

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Tony esperando o início das apresentações de trabalho (arquivo pessoal)
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Tony e Darlene Crone-Todd explorando um campo congelado (arquivo pessoal)

[Artigo] Sobre saber esperar e ter autocontrole

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Normalmente, dizemos que, se uma pessoa consegue deixar de comer uma sobremesa bastante apetitosa por conta de uma vida saudável, ela tem bastante autocontrole. Se alguém passa cinco anos conciliando trabalho diurno e estudo noturno, diz-se que essa pessoa tem bastante força de vontade. Mas o que isso significa em termos comportamentais? Que repertórios são importantes para que alguém faça alguma dessas coisas? A fim de levantar importantes variáveis para o estudo desse assunto, Haendel e Avarenga (2018) discutem sobre a tolerância ao atraso do reforçador como um aspecto importante do autocontrole.

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[Artigo] Corrupto, corrupção e corromper-se, flexões do mesmo fenômeno?

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Corrupção é um fenômeno recorrente, mas não exclusivo do cenário brasileiro. Ele é apresentado para a sociedade através de várias facetas, em diferentes extratos sociais e com diferentes objetivos, apesar de produzirem, quase sempre, os mesmo prejuízos. Nesse artigo, Carrara & Fernandes (2018) avaliam, de acordo com os parâmetro teórico-metodológicos da Análise Comportamental da Cultura uma proposta descritivo-explicativa para o fenômeno da corrupção.
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[Artigo] Nem dogmatismo, nem ecletismo: como se posicionar diante da pluralidade da Psicologia?

 

 

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Em “Considerações sobre o dogmatismo teórico no Behaviorismo Radical” publicado pela Revista Brasileira de Análise do Comportamento, Marcos S. Azoubel discute as posturas de dogmatismo e ecletismo teórico adotadas por psicólogos, especialmente os analistas do comportamento. Esses extremos são apresentados pelo autor em um ensaio que busca, além de fazer uma crítica a ambos, apresentar algumas propostas para que psicólogos possam se posicionar melhor em seu trabalho e nos debates entre e intra abordagens psicológicas. Continuar lendo [Artigo] Nem dogmatismo, nem ecletismo: como se posicionar diante da pluralidade da Psicologia?

[Artigo] Permanência das mulheres em relacionamentos abusivos: uma análise funcional

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O ano é 2018, treze anos após a promulgação da Lei Maria da Penha. Contudo, os índices de violência contra a mulher ainda continuam alarmantes, o que evidencia a necessidade que o tema tem de ser melhor investigado. Partindo dessa questão, Pereira, Camargo e Aoyama (2018) desenvolveram um trabalho com o objetivo de identificar as possíveis variáveis que influenciariam na permanência das mulheres em relacionamentos abusivos.

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